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Equipes de resgate mantêm contato com sobrevivente soterrado oito dias após terremoto na Venezuela

A operação para resgatar Hernan Gil, um agente de segurança de 43 anos que está há oito dias sob os escombros de um edifício na Venezuela, após o duplo terremoto de 24 junho, continuam nesta quinta-feira (2). A catástrofe deixou mais de 2.000 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos.

2 jul 2026 - 07h30
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Hernan Gil ficou preso em sua guarita sob o prédio onde trabalhava em Catia La Mar, uma área costeira do estado de La Guaira, no norte do país. A região foi quase totalmente destruída após os temores.

As equipes de resgate de sete países (Venezuela, Chile, Estados Unidos, Portugal, Costa Rica, El Salvador e México) trabalham sem interrupção há três dias para alcançá-lo, após o alerta dado por pessoas que ouviram sua voz entre os escombros. "Trata-se de uma estrutura cujo acesso é particularmente complicado", afirmou Cristian Vera, chefe da equipe Usar dos bombeiros do Chile. "É difícil chegar ao local exato onde a vítima está." 

No início da noite de quarta-feira (1°), os bombeiros estavam a menos de um metro do sobrevivente. Os bombeiros chilenos divulgaram no Instagram um vídeo mostrando Gil dentro da guarita, virando a cabeça para olhar para a câmera, com o olho direito avermelhado. "É realmente um milagre", declarou sua mulher, Gusbimar Gonzalez. "Estou profundamente emocionada, porque é a primeira vez que vejo tantos países unidos para salvar uma única pessoa." 

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou sete dias de luto nacional "em homenagem à memória das vítimas". O número oficial de mortos foi revisado para 2.295, com mais de 11 mil feridos, segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Mas a tragédia ainda está longe de revelar toda a sua dimensão: as Nações Unidas estimam que 50 mil pessoas continuem desaparecidas. 

Socorristas não desistem de encontrar sobreviventes

Houve alguns casos raros de sobreviventes encontrados com vida, como um menino de 3 anos resgatado na terça-feira, seis dias após o terremoto mais forte registrado na Venezuela em mais de um século. No entanto, especialistas afirmam que pessoas presas sob prédios desabados têm poucas chances de sobreviver por mais de 72 horas. Em meio às ruínas de Caraballeda, no estado de La Guaira, onde seu filho desapareceu, José Rafael foi categórico: "Ninguém sairá daqui, vivo ou morto". 

Dezenas de edifícios destruídos exibem uma grande letra "D" pintada com spray. A letra significa deceased ("falecido"), de acordo com a nomenclatura internacional utilizada em operações de busca e salvamento após terremotos, indicando que não há mais expectativa de encontrar sobreviventes no local. "Foi extremamente difícil chegar ao território venezuelano", lamentou Luis Arteaga Benatuil, integrante da equipe espanhola de busca e salvamento Usar 13. "Chegamos tarde, mas nosso objetivo continua sendo salvar vidas." 

Imagem feita por drone mostra integrantes de uma equipe de resgate da Eslováquia durante as operações de busca e salvamento nos escombros de um prédio que desabou em Los Cocos, em 1º de julho.
Imagem feita por drone mostra integrantes de uma equipe de resgate da Eslováquia durante as operações de busca e salvamento nos escombros de um prédio que desabou em Los Cocos, em 1º de julho.
Foto: RFI

Quatro policiais presos por saques

A dimensão dos danos materiais mergulhou parte do país no caos. Embora as autoridades tenham instalado centros de distribuição de ajuda humanitária, muitos sobreviventes afirmam receber mais apoio de estrangeiros e voluntários. Quatro policiais venezuelanos foram presos por saques na área atingida pelos terremotos, informou o Ministério da Justiça, após a circulação de imagens que se tornaram virais e mostravam agentes flagrados por moradores revoltados. 

No estado de La Guaira, "a escassez de alimentos é generalizada, os serviços básicos entraram em colapso e as comunicações permanecem amplamente interrompidas", alertou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). "As tensões entre a população estão aumentando, enquanto o acesso à ajuda continua limitado." 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme o surgimento de epidemias e manifesta preocupação com sistemas considerados "inadequados" para o registro de desaparecidos e vítimas. Segundo a OMS, a interrupção dos serviços de saúde, das redes de abastecimento de água e saneamento, somada ao deslocamento da população, pode favorecer surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria e coqueluche, alertou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.

Com AFP

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