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Entre ruínas e a praia, capital somali tenta se reconstruir

20 ago 2012 - 06h03
(atualizado às 07h26)
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Arame farpado, postes de luz com energia solar, prédios em ruínas, novas infraestruturas, bunkers militares e campos de deslocados se misturam na nova Mogadíscio, uma cidade em tímida reconstrução após duas décadas de guerra. Desde que no dia 6 de agosto de 2011 a milícia fundamentalista islâmica somali Al Shabaab se retirou, a capital da Somália assistiu a uma melhora crescente da situação humanitária, econômica e de segurança.

Imagem mostra o antigo farol de Mogadíscio, castigado por uma guerra civil de duas décadas
Imagem mostra o antigo farol de Mogadíscio, castigado por uma guerra civil de duas décadas
Foto: EFE

Boa parte do mérito é da cooperação turca, que desembarcou há um ano em Mogadíscio com planos específicos para reconstruir estradas, hospitais, escolas e outros edifícios essenciais, como o aeroporto, onde a bandeira vermelha com a meia lua e estrela brancas aparecem junto à bandeira nacional.

"Quando conheci o prefeito de Istambul, pedi que enviasse gente que preparasse um plano mestre para Mogadíscio. Ele mandou 14 planejadores urbanos para observar e projetar a cidade. Através desse plano, corrigiremos erros passados", explica o prefeito da capital somali, Mohammed Ahmed Noor, acrescentando que "os turcos são bem-vistos porque são muçulmanos".

O planejamento devolverá o esplendor a Mogadíscio, que alterna belos edifícios arabescos com detalhes arquitetônicos italianos dos tempos coloniais, como a catedral (ou o restante dela). "Você está vendo todas aquelas casas? Há alguns meses, todas que rodeiam o mercado de Bakara estavam largadas", afirma o jornalista somali Abukar Albadri. Agora, no entanto, o sol reflete nos novos telhados que as cobrem.

Embora a situação não seja estendida ao resto do país, a mudança da dinâmica na capital pode ser vista em pequenos detalhes: agora os veículos circulam à noite com as luzes acesas, não como antes, quando se dirigia quase à escuras para evitar uma emboscada. Além disso, no hospital OPD da Missão da União Africana na Somália (Amisom), os feridos à bala dos tempos dos confrontos entre Al Shabaab e as tropas pró-governamentais se reduziram drasticamente.

O responsável pela unidade, o ugandense Elias Biguma, informa que em 2011 tratava cerca de 750 pessoas feridas à bala por semana, enquanto atualmente o número caiu para aproximadamente cem pacientes, cuja procedência já não é mais a capital, mas as áreas periféricas, onde agora se encontra o grupo. Além disso, Biguma diz que a maior parte de feridos que procuram o hospital hoje dia o faz por males derivados de acidentes de trânsito, porque "agora há muitos carros".

No novo porto, o cargueiro "Barwaaqo" ("Prosperidade", em somali), honra seu nome e descarrega cimento, 50 kg por saco, que servirá para impulsionar a reconstrução de Mogadíscio. "Em agosto de 2011, só um navio com materiais de construção, como cimento e madeira, atracou aqui, enquanto na metade do mesmo mês deste ano já chegaram quatro", comenta o subdiretor do porto, Abdiqani Osman Kabreto.

"Em janeiro do ano passado, Al Shabaab estava apenas a algumas centenas de metros", lembra, Ronald Kakurungu, porta-voz do contingente ugandense da Amisom, antes de conduzir um grupo de jornalistas estrangeiros à praia do Lido.

Às sextas-feiras - asseguram os moradores de Mogadíscio -, a areia e as águas se enchem de somalis que vão desfrutar do cantinho que o oceano Índico tem reservado a este enclave. No entanto, em um entardecer de um dia no meio da semana, apenas Hussein Mohaled Amed se atreve a entrar na água. "É a primeira vez que venho desde que vivo aqui, há um ano - diz Ahmed -, porque antes era perigoso. Mas com certeza voltarei muitas vezes".

O postal desenhado pelas barcas no mar calmo em uma baía vigiada pelo velho farol da cidade faz pensar que Mogadíscio poderia ser um fabuloso destino turístico. Assim parecem pensar também as autoridades somalis de Imigração, que no novo formulário de acesso ao país incluíram entre os possíveis motivos de visita: "Férias".

EFE   
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