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Embaixada dos EUA no Iraque é atacada: "Morte à América"

Centenas de pessoas invadem área de representação diplomática em Bagdá em protesto por bombardeios americanos que mataram dezenas

31 dez 2019
10h53
atualizado às 13h34
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Centenas de pessoas invadem área de representação diplomática em Bagdá em protesto por bombardeios americanos que mataram dezenas de combatentes de uma milícia apoiada pelo Irã. Trump acusa Teerã de orquestrar ação.Centenas de manifestantes atacaram nesta terça-feira (31/12) a embaixada dos EUA em Bagdá, em protesto contra bombardeios americanos que mataram dezenas de combatentes de uma milícia xiita no domingo.

Apoiadores iraquianos de facções pró-Irã invadiram o complexo em que fica a embaixada, danificando o muro externo da representação e gritando "morte à América". Imagens divulgadas nas redes sociais mostram manifestantes escalando os muros fortemente protegidos do prédio, empunhando bandeiras da milícia xiita.

Manifestantes incendiaram parte do muro que cerca área da embaixada, além de cabines e torres de vigilância
Manifestantes incendiaram parte do muro que cerca área da embaixada, além de cabines e torres de vigilância
Foto: DW / Deutsche Welle

O ataque ocorreu após centenas de pessoas participarem de uma marcha para protestar contra cinco bombardeios americanos realizados no domingo no Iraque e na Síria contra a milícia xiita Kataib Hisbolá, apoiada pelo Irã, e que mataram 25 pessoas, ferindo ao menos 50.

As investidas aéreas foram uma resposta de Washington à morte de um civil americano durante um ataque com mais de 30 mísseis contra uma base militar dos EUA em Kirkut, no norte do Iraque. A reação dos EUA recebeu críticas duras de Bagdá, Teerã e Moscou.

Vídeos da estação de televisão árabe Al-Arabija mostram manifestantes incendiando o muro externo da área em que fica a embaixada e jogando objetos incendiários sobre o muro.

Dentro do complexo da sede diplomática os manifestantes incendiaram parte do muro que a cerca, quebrando vidraças, depredando cabines e torres de vigilância, enquanto os seguranças da representação diplomática tentavam dispersar o tumulto com gás lacrimogêneo.

De acordo com uma fonte do Ministério do Interior do Iraque, que pediu anonimato, nem o embaixador nem os funcionários dos EUA estavam dentro do edifício no momento do ataque.

O primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdel Mahdi, exortou os manifestantes a deixarem a área da embaixada "imediatamente", afirmando que quaisquer agressões contra representações diplomáticas estrangeiras serão combatidas pelas forças de segurança.

O presidente dos EUA, Donald Trump, culpou o Irã por orquestrar o ataque. "Agora o Irã está orquestrando um ataque à embaixada dos EUA no Iraque. Eles serão totalmente responsabilizados", ele tuitou, afirmando que espera que o Iraque proteja a embaixada.

Foi a primeira vez em anos que manifestantes conseguiram chegar à embaixada dos EUA, que está abrigada atrás de uma série de postos de controle na chamada Zona Verde de alta segurança no centro da cidade de Bagdá, onde ficam também outras representações diplomáticas e vários órgãos e ministérios do governo iraquiano.

Em maio, o Departamento de Estado dos EUA retirou temporariamente parte do pessoal da embaixada em Bagdá e do consulado em Erbil, devido à situação tensa de segurança no Iraque. Em setembro, dois foguetes atingiram o entorno da embaixada americana em Bagdá.

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