Em bênção de Páscoa, Papa cobra acesso universal a vacinas

Francisco pediu compartilhamento com os países mais pobres

4 abr 2021
08h17 atualizado às 08h41
0comentários
08h17 atualizado às 08h41
Publicidade

O papa Francisco voltou a cobrar neste domingo (4) que a comunidade internacional se empenhe para superar os atrasos na distribuição de vacinas anti-Covid e para compartilhá-las com os países mais pobres.

Papa Francisco celebra missa de Páscoa na Basílica de São Pedro, no Vaticano
Papa Francisco celebra missa de Páscoa na Basílica de São Pedro, no Vaticano
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em sua bênção "Urbi et Orbi" ("À cidade e ao mundo"), realizada nos dias de Páscoa e Natal, o líder da Igreja Católica disse que todos, "sobretudo as pessoas mais frágeis", têm direito aos tratamentos contra o novo coronavírus e que as vacinas "constituem um instrumento essencial" na luta contra a pandemia.

"No espírito de um 'internacionalismo das vacinas', exorto toda a comunidade internacional a um empenho compartilhado para superar os atrasos em sua distribuição e favorecer seu compartilhamento, especialmente com os países mais pobres", disse.

Segundo o portal Our World in Data, já foram aplicadas cerca de 650 milhões de doses de vacinas anti-Covid no mundo, mas quase 70% estão concentradas na Europa, na América do Norte e na China. A África, que tem 15% da população do planeta, responde por menos de 2% das doses administradas até o momento.

 Em sua bênção de Páscoa, Francisco também disse que a pandemia, ainda em "pleno curso", provocou uma crise econômica e social "muito pesada" e "aumentou dramaticamente o número de pobres e o desespero de milhares de pessoas". "Apesar disso - e é escandaloso - não param os conflitos armados e se reforçam os arsenais militares", acrescentou.

Além disso, o Papa lamentou as limitações de culto impostas em vários países para coibir aglomerações e frear a disseminação do novo coronavírus. "Rezemos para que tais limitações, como qualquer limitação à liberdade de culto e religião no mundo, possam ser removidas e que a cada um seja permitido rezar e louvar a Deus livremente", disse.

Crises internacionais

Como de hábito na bênção "Urbi et Orbi", o líder da Igreja Católica mencionou algumas das principais crises em curso no planeta, do Haiti a Myanmar, passando por países como Síria, Iraque, Iêmen e Ucrânia.

"Meu pensamento e encorajamento vão ao caro povo haitiano, para que ele não se sinta sobrecarregado com as dificuldades, mas sim olhe ao futuro com confiança e esperança", declarou Francisco, acrescentando que deseja que os problemas do país se resolvam "definitivamente".

O Haiti, um dos países mais pobres do mundo, vive mais uma crise política e registra protestos recorrentes contra o presidente Jovenel Moise. Jorge Bergoglio também citou os "jovens de Myanmar que se empenham pela democracia, fazendo ouvir pacificamente a própria voz, cientes de que o ódio pode ser dissipado apenas pelo amor".

O país asiático foi chacoalhado por um golpe de Estado no início de fevereiro e já tem mais de 550 mortos em protestos contra o regime instaurado pelos militares.

Francisco ainda aproveitou a ocasião para pedir paz na "amada e martirizada Síria"; no Iêmen, cujo conflito é "circundado por um silêncio ensurdecedor e escandaloso"; e na Líbia, onde, com o novo governo de união nacional, "finalmente se vê uma via de saída para uma década de combates sangrentos".

"Que todas as partes envolvidas se empenhem efetivamente para interromper os conflitos e permitir aos povos exaustos pela guerra que vivam em paz e iniciem a reconstrução de seus respectivos países", declarou.

Além disso, o pontífice voltou a defender a solução dos dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina e desejou que o Iraque, país que o recebeu no início de março para uma visita inédita, "possa continuar no caminho de pacificação para que se realize o sonho de Deus de uma família humana hospitaleira e acolhedora com todos os seus filhos".

Francisco ainda orou por apoio às "populações africanas que veem o próprio futuro comprometido por violências internas e pelo terrorismo internacional, especialmente no Sahel e na Nigéria, bem como nas regiões de Tigré [na Etiópia] e Cabo Delgado [em Moçambique]".

Já no fim da bênção, o Papa pediu que os prisioneiros dos conflitos, especialmente na Ucrânia oriental, que vive uma escalada de tensão nas últimas semanas, e em Nagorno-Karabakh, território disputado por Armênia e Azerbaijão, "possam retornar sãos e salvos às próprias famílias".

Jorge Bergoglio ainda lembrou dos refugiados e agradeceu aos países que os "acolhem com generosidade, especialmente o Líbano e a Jordânia, que hospedam muitíssimos deslocados que fugiram do conflito sírio". Francisco também desejou "consolação" ao povo libanês, que "atravessa um período de dificuldade e incertezas", e cobrou ajuda da comunidade internacional para apoiar a vocação do país de ser uma "terra de encontro, convivência e pluralismo".

Em sua viagem de retorno do Iraque, em 8 de março, o Papa havia afirmado que o Líbano seria um de seus próximos destinos internacionais, porém ainda não há data para a visita.

Ansa - Brasil   
Publicidade
Publicidade