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Donos de bar incendiado na Suíça são hostilizados por famílias de vítimas

'Vocês são a máfia', disse a mãe de um jovem de 18 anos morto na tragédia

12 fev 2026 - 13h57
(atualizado às 15h08)
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Familiares de vítimas do incêndio de Ano Novo em Crans-Montana, na Suíça, hostilizaram os proprietários do bar que foi palco da tragédia, Jacques e Jessica Moretti, antes de um interrogatório no âmbito das investigações sobre o caso.

O casal, dono do pub Le Constellation, chegou ao local do depoimento, em Sion, acompanhado de advogados, mas foi cercado por um pequeno grupo de cidadãos enlutados, que avançaram contra os dois e não conseguiram segurar a raiva.

"Você assassinou meu irmão, sua p?, você entende isso? Olhe nos meus olhos, você assassinou meu irmão", gritou Tobyas, 14 anos, que perdeu o irmão mais velho, Trystan, 17, um dos 41 mortos no incêndio da madrugada de 1º de janeiro.

Tobyas, que perdeu o irmão Trystan, confronta donos de bar

"Vocês são a máfia, pagaram 200 mil francos [R$ 1,35 milhão] e ficou por aí", disse Gulcin Kaya, mãe de um jovem de 18 anos morto no desastre, citando o valor desembolsado na fiança de Jacques, que respondeu: "Não tem máfia, eu sou um trabalhador".

A mãe, no entanto, insistiu: "Onde está meu filho? Como vocês conseguem dormir? Como conseguem comer, respirar?". O proprietário do Constellation, por sua vez, pediu desculpas. "Sinto muito, sinto muito, vamos assumir nossas responsabilidades, estamos aqui por justiça", disse Moretti.

Após a confusão, a procuradora-geral adjunta do Cantão de Valais, Catherine Seppey, abriu a audiência com um apelo por "calma", enquanto o advogado do casal Moretti, Nicola Meier, afirmou que foram seus clientes que quiseram encontrar as famílias das vítimas. "Mas isso foi uma agressão, vocês viram. Não esperávamos que a polícia não estivesse presente", salientou.

Jacques e Jessica são suspeitos de homicídio por negligência, lesões corporais e incêndio e se submeteram na última quarta (11) e nesta quinta-feira (12) a questionamentos dos advogados que representam as partes civis no inquérito, ou seja, as famílias das vítimas.

Durante o interrogatório, Jessica garantiu compreender a raiva dos parentes dos mortos e admitiu que a equipe do Constellation nunca tinha feito testes de evacuação em situações de emergência. "Mas porque ninguém nos disse que deveríamos fazer isso", declarou.

Questionada por que saiu do bar logo após o início do incêndio, ela afirmou que sua prioridade era "evacuar as pessoas e chamar os bombeiros o quanto antes". "Eu sou filha de bombeiros, e esse é o meu reflexo", salientou.

Proprietários do Constellation foram hostilizados por familiares de vítimas

O incêndio da madrugada de 1º de janeiro deixou 41 mortos, sobretudo adolescentes e jovens adultos, e 115 feridos. Seis italianos de 15 e 16 anos perderam a vida na tragédia.

Além do casal Moretti, o Ministério Público suíço investiga outras duas pessoas: Ken Jacquemoud e Christophe Balet, o ex e o atual responsável de segurança na Prefeitura de Crans-Montana, que não inspecionava o bar desde 2020.

As chamas teriam sido provocadas por fagulhas lançadas por velas pirotécnicas na espuma antirruído que revestia o teto do Constellation. O fogo se alastrou rapidamente, e muitas pessoas não conseguiram escapar a tempo.

Ansa - Brasil
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