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Diretor critica uso de IA para criar imagens falsas sobre vítimas de Pompeia

Zuchtriegel alertou para o excesso de conteúdos 'enganosos e eticamente incorretos'

28 out 2026 - 16h26
(atualizado às 16h49)
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Resumo
O diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel, criticou o uso irresponsável de inteligência artificial para criar imagens falsas sobre as vítimas da erupção do Vesúvio. Ele denunciou publicações enganosas nas redes sociais, associadas à arrecadação de fundos, que distorcem fatos históricos. Embora o parque use a IA para pesquisas e segurança, Zuchtriegel alertou que a tecnologia exige limites éticos rígidos para não promover a desinformação e o empobrecimento cultural.

O diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel, alertou nesta quarta-feira (28) para o excesso de conteúdos "enganosos e eticamente incorretos" sobre a antiga cidade romana, localizada na região da Campânia, na Itália, aos pés do vulcão Vesúvio.

Zuchtriegel alertou para o excesso de conteúdos 'enganosos e eticamente incorretos'
Zuchtriegel alertou para o excesso de conteúdos 'enganosos e eticamente incorretos'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O responsável pelo sítio arqueológico, um dos mais visitados do mundo, destacou a circulação, nas redes sociais, de imagens alteradas ou geradas por inteligência artificial (IA) que retratam de forma equivocada os moldes das vítimas da erupção do Vesúvio, em 79 d.C.

"É verdadeiramente desconcertante, até mesmo repugnante, ver um uso tão completamente enganoso e irresponsável da inteligência artificial para criar imagens e narrativas sobre as vítimas de Pompeia nas redes sociais", afirmou Zuchtriegel.

O diretor citou uma publicação no Instagram, feita por uma conta atribuída a um professor de química da Universidade de Nápoles Federico II, sobre a Casa da Pulseira de Ouro, uma das residências mais ricas da antiga cidade. Na imagem falsa, as vítimas da erupção do Vesúvio aparecem em posições diferentes.

Os restos mortais de várias vítimas foram encontrados no interior da residência. Os moldes foram feitos de quatro delas, dois adultos e duas crianças, utilizando uma técnica empregada desde o século 19, que consiste em preencher as cavidades deixadas pelas vítimas nas cinzas vulcânicas com gesso.

"É tudo falso: a imagem foi criada com IA, e o texto também parece ter sido gerado por IA. Além disso, essa atividade, que dificilmente posso chamar de 'promoção cultural', já que é exatamente o oposto, está vinculada à geração de receita por meio de um portal de arrecadação de fundos. Entramos em contato com a universidade para abrir um diálogo; queremos entender se tal conduta é compatível com o código de ética de uma instituição acadêmica tão renomada", declarou.

Zuchtriegel também defendeu a necessidade de uma reflexão coletiva sobre o uso da tecnologia. Para ele, é essencial discutir como a IA pode contribuir para o progresso cultural, social e econômico, em vez de promover uma nova forma de empobrecimento cultural e educacional.

"Não se trata de condenar a IA, muito pelo contrário: o parque está experimentando ferramentas de inteligência artificial para pesquisa, valorização do sítio, segurança e monitoramento do patrimônio. No entanto, considero fundamental que tais iniciativas ocorram dentro de um referencial ético que, no caso mencionado, parece estar totalmente ausente", afirmou o diretor. .

Ansa - Brasil
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