Delcy Rodríguez relança negociações para transição democrática na Venezuela
Medida do governo chavista foi decidida em coordenação com EUA
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quarta-feira (15) a abertura de negociações com uma parte da oposição com o "objetivo de fortalecer a democracia".
No papel, seu mandato teria expirado; no entanto, é evidente que ela detém atualmente força suficiente para liderar pessoalmente um "roteiro" para a suposta transição, escolhendo a dedo seus interlocutores e evitando qualquer menção a possíveis eleições.
De fato, o apelo de Rodríguez ao diálogo foi prontamente acolhido por Dinorah Figuera, ex-presidente da Assembleia Nacional venezuelana eleita em 2015, uma figura considerada de importância secundária e sem ambição de disputar a liderança do país no futuro.
A medida do governo chavista foi, evidentemente, decidida em total coordenação com os Estados Unidos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, republicou no X o comunicado sobre o início das negociações, agendadas para 1º de agosto. Simultaneamente, Michael G. Kozak, subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, expôs claramente a abordagem pragmática de Donald Trump.
"Não queremos eleições cedo demais, quando não podem ser realizadas porque ainda há muitas coisas a mudar, mas também não queremos eleições muito distantes. Queremos encontrar o equilíbrio certo", disse Kozak ao Senado americano.
A situação evidenciou um claro distanciamento em relação às exigências da líder opositora María Corina Machado, que não se sentará àquela mesa; tampouco o fará o presidente eleito Edmundo González Urrutia, que está exilado na Espanha há meses. Ambos convocaram uma reunião com outras alas da oposição para tentar definir uma posição comum, mas nada além disso.
A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz falou sobre o assunto em Madri, capital espanhola, no "Foro Libertas", um evento organizado pela liderança do Partido Popular Europeu (PPE).
"Gostaria de pedir a ajuda e o apoio de vocês neste processo de reunificação, no qual nós, líderes que estivemos afastados do nosso país, retornaremos para atuar como uma força estabilizadora, organizadora e pacificadora", declarou Machado, em meio a aplausos.
Também esteve presente em solo espanhol o ministro das Relações Exteriores e vice-premiÊ da Itália, Antonio Tajani, que também atua como vice-líder do PPE, uma figura-chave no fornecimento de ajuda ao povo venezuelano atingido pela tragédia do terremoto e firme defensor de uma transição verdadeiramente democrática.
"Apesar desta crise extremamente grave, o caminho da transição democrática do país deve prosseguir para garantir a liberdade, a reconciliação, a paz e o desenvolvimento democrático. É por isso que é importante que o povo venezuelano possa votar", afirmou o chanceler italiano.
No entanto, trata-se de um processo repleto de armadilhas, que só poderia ser viabilizado por uma mudança drástica na política dos EUA. De fato, o terremoto devastador que deixou a Venezuela de joelhos há três semanas parece ter deixado a liderança de Rodríguez praticamente intacta.
Além disso, os acontecimentos contrariaram aqueles que previam que a revolta popular diante dos atrasos na ajuda e o desespero de dezenas de milhares de sobreviventes dariam o golpe de misericórdia no governo chavista, pelo menos por enquanto.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.