Críticos de Elon Musk destroem carro Tesla como forma de protesto, em Londres
Veículo, doado por um doador anônimo para gerar debate sobre a desigualdade social, será leiloado nas próximas semanas
Manifestantes em Londres destruíram um Tesla em protesto contra Elon Musk, promovendo debate sobre desigualdade social e com renda revertida a caridade. O evento ocorreu num espaço cultural e atraiu críticas ao bilionário por sua influência política.
Críticos do empresário Elon Musk organizaram um protesto em Londres, na quinta-feira, 10, em que destruíram um Tesla, empresa de carros de Musk, usando tacos de basebol e martelos. A manifestação, que recebeu o nome de "Londres x Musk", ocorreu no bairro Peckham, num espaço cultural chamado Hardess Studios.
Segundo o grupo "Everyone hates Elon" ("Todos odeiam Elon"), que organizou o protesto, o veículo foi doado por um anônimo para gerar debate sobre a desigualdade social e será leiloado nas próximas semanas como uma obra de arte. Toda a renda destinada a instituições de caridade de bancos de alimentos.
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"Estamos dando aos londrinos a chance de enfrentar o ódio da extrema direita e dos bilionários e expressar seus sentimentos sobre o estado atual do mundo", afirmou o grupo ao jornal britânico The Guardian. "A terapia é cara, mas isso é de graça."
Ao The Guardian, a escritora Talia Denisenko, de 32 anos, que compareceu ao protesto segurando uma bandeira da Ucrânia, disse que, neste momento, a situação política do mundo parece "desmotivadora". Nesse sentido, participar da manifestação é como "terapia" para ela, que quebrava o carro ao som de One More Time, de Britney Spears.
Outra manifestante, a pesquisadora Alice Rogers, de 24 anos, afirmou que Musk está violando a Constituição americana e que está “preocupada” com os rumos que os Estados Unidos vêm tomando nos últimos meses.
Ela destacou que agências federais importantes, como a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), que oferece assistência econômica, humanitária e de desenvolvimento em diversos países ao redor do mundo, estão sob risco de abolição.
"Musk está agindo de maneiras que violam nossa constituição. Estou muito preocupada com o que estou vendo – ele está destruindo agências e cortando a USAID [a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional]. Isso foi realmente catártico. Normalmente não sou uma pessoa que bate forte, mas foi muito bom", disse.
Um terceiro participante, o professor universitário Lee Woods, de 45 anos, que mora em Hampshire, a duas horas de Londres, e viajou à cidade só para participar do protesto, afirmou estar "horrorizado" com a situação política nos Estados Unidos. Para ele, Musk, "está usando sua riqueza obscena para promover a extrema direita."
O protesto de quinta-feira soma-se a outros que vêm sendo realizados pelo mundo contra os super-ricos e a extrema direita. Segundo a agência de notícias Reuters, manifestantes têm se juntado em concessionárias da Tesla na Alemanha, Itália, Estados Unidos e França para combater aquilo que dizem ser "a destruição da democracia".