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Corpo do criminoso de guerra condenado Ratko Mladic retorna à Sérvia em avião do governo

3 set 2026 - 15h54
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Resumo
O corpo do ex-comandante Ratko Mladic, condenado por genocídio e crimes de guerra na Bósnia, chegou à Sérvia em um avião oficial após sua morte em Haia aos 84 anos. Reverenciado por nacionalistas, seu funeral deve atrair multidões, gerando forte tensão diplomática. A União Europeia e a Croácia alertaram que eventuais honras de Estado a um criminoso de guerra ameaçam diretamente a futura adesão sérvia ao bloco. A causa exata do óbito ainda está sob apuração pelas Nações Unidas.

Um avião do governo sérvio trouxe de volta a Belgrado, ‌nesta quinta-feira, o corpo do ex-comandante do Exército Ratko Mladic, que faleceu na semana passada enquanto cumpria pena de prisão perpétua por crimes de guerra, para o que se espera que seja um funeral com grande participação popular.

Mladic, condenado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante a guerra da Bósnia entre 1992 e 1995, faleceu na semana passada em ⁠um centro de detenção da ONU em Haia, aos 84 anos.

O avião pousou no aeroporto de Belgrado ‌poucos minutos antes das 18h (horário local), transportando seu caixão, envolto na bandeira sérvia, juntamente com o filho e a neta de Mladic, além do ministro da Justiça sérvio, Nenad Vujic.

Soldados sérvios ‌transportaram o caixão até uma van vermelha que, segundo a ‌mídia sérvia, o levaria a um hospital militar, onde a autópsia será realizada no ⁠fim de semana.

PRESIDENTE DIZ QUE DEZENAS DE MILHARES SÃO ESPERADOS NO FUNERAL

Um ministro do governo sérvio afirmou inicialmente que Mladic teria um funeral de Estado, mas, após protestos de líderes europeus, o governo não confirmou essa informação.

A mídia sérvia informou que uma cerimônia será realizada no sábado no salão do Exército, no centro de Belgrado, e que o funeral será realizado em uma igreja nos subúrbios de ‌Belgrado na segunda-feira, sendo Mladic então enterrado em um cemitério ao lado de sua filha.

O presidente sérvio, ‌Aleksandar Vucic, disse nesta quinta-feira ⁠que espera que dezenas de ⁠milhares de pessoas compareçam ao funeral e que seria um desafio garantir a segurança. 

Mladic foi considerado culpado pelo ⁠Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas para a ex-Iugoslávia (TPII) ‌de genocídio por seu papel ‌no massacre de Srebrenica, em 1995, no qual cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos bósnios foram mortos depois que as forças sérvias da Bósnia invadiram o enclave designado pela ONU.

Ele também foi condenado pelo cerco de 43 meses a Sarajevo, durante o qual cerca ⁠de 10 mil pessoas foram mortas.

No entanto, ele continuou sendo uma figura reverenciada entre muitos sérvios na Sérvia e na República Sérvia, região autônoma da Bósnia.

Sua morte gerou tensões na região, com autoridades alertando que um funeral de Estado colocaria em risco as perspectivas da Sérvia de aderir à União Europeia.

"A glorificação de Ratko Mladić como criminoso ‌de guerra vai contra os valores europeus fundamentais e não tem lugar na União Europeia nem nos países que aspiram a se tornar membros da União", afirmou na terça-feira a comissária de ⁠Expansão da UE, Marta Kos.

"Espero que o governo de Belgrado esteja ciente do que está em jogo."

O primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovic, foi mais direto, afirmando que, se "a Sérvia organizasse um funeral de Estado para Mladic, isso fecharia as portas para a União Europeia".

O mecanismo da ONU sediado em Haia, responsável por lidar com casos pendentes do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, está investigando as circunstâncias da morte de Mladic — um procedimento padrão quando detentos falecem na unidade de detenção da ONU em Haia. Ainda não está claro quando os resultados serão divulgados.

Mladic, que vinha sofrendo de problemas de saúde há anos, havia sido tratado no hospital da prisão antes de sua morte. Seus parentes, assim como a Rússia, haviam criticado o tratamento que ele recebia. O tribunal de crimes de guerra da ONU afirmou que sua saúde era frágil, mas bem controlada.

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