Apenas 4,4% dos italianos residentes no Brasil nasceram na Itália
Número é reflexo das grandes ondas migratórias dos séculos 19 e 20
Segundo o Istat, apenas 4,4% dos 692 mil cidadãos italianos no Brasil nasceram na Itália, refletindo a predominância de descendentes das imigrações dos séculos 19 e 20, padrão comum na América do Sul e oposto ao da Europa e América do Norte. Ao todo, 6,6 milhões de italianos vivem no exterior, impulsionados pelo direito de sangue. Contudo, o governo italiano aprovou um decreto que restringe a concessão da cidadania apenas a filhos ou netos de italianos, limitando a transmissão contínua.
Somente 4,4% dos cidadãos italianos residentes no Brasil nasceram na Itália, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Nacional de Estatísticas do país europeu, o Istat.
De acordo com o documento, 692 mil cidadãos moram em solo brasileiro, porém apenas 30 mil vieram ao mundo em território italiano, já que a esmagadora maioria é formada por descendentes de imigrantes.
O cenário brasileiro contrasta fortemente com o de países que receberam fluxos mais recentes de italianos. Na Áustria, por exemplo, os nascidos na Itália representam 52,2% dos cidadãos italianos residentes; em Luxemburgo, 50,4%; no Reino Unido, 47,8%. Na América do Norte, quase um em cada dois cidadãos italianos nasceu na Itália (47,6%), com cifras semelhantes no Canadá (49,4%) e nos Estados Unidos (46,8%).
Os números do Brasil seguem um padrão comum na América do Sul, onde predominam os descendentes das ondas migratórias do fim do século 19 e início do século 20. No Peru, apenas 5,5% dos cidadãos italianos nasceram na Itália (2 mil de um total de 38 mil); na Argentina, 9,2% (92 mil de mais de 1 milhão); na Venezuela, 13,8% (17 mil de 122 mil).
Os dados fazem parte do estudo anual do Istat sobre italianos no exterior, com base em informações de 31 de dezembro de 2024, as mais recentes disponíveis de fonte censitária. Ao todo, 1,944 milhão de italianos residentes no exterior nasceram na Itália, 30,3% do total.
O levantamento também revela diferenças geracionais entre os italianos nascidos no "Belpaese" e os que vieram ao mundo no exterior. Os primeiros têm idade média de 54 anos, e os segundos, de 39.
O relatório ainda aponta que 6,604 milhões de italianos viviam fora do país em 31 de dezembro de 2025, alta de 2,8% sobre 2024, contra 4,6% do ano anterior.
Mais da metade desse contingente reside na Europa (53,1%), e cerca de um terço, na América do Sul (34,3%).
Até março de 2025, não havia limite geracional para a transmissão da cidadania por direito de sangue (jus sanguinis), o que impulsionou o número de cidadãos italianos na América do Sul. No entanto, um decreto-lei aprovado pelo governo da premiê Giorgia Meloni estabeleceu que a cidadania pode ser transmitida apenas por ascendentes de primeiro ou segundo grau (pais ou avós), e desde que eles sejam exclusivamente italianos. .
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