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Conservadores defendem ex-papa após relatório sobre abusos, mas especialistas veem legado manchado

21 jan 2022 15h36
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Conservadores defenderam o papa Bento 16 nesta sexta-feira contra acusações de ter lidado mal com casos de abuso sexual décadas atrás, mas grupos de vítimas e especialistas afirmaram que as descobertas de um relatório alemão mancharam o legado de um dos teólogos mais renomados do catolicismo.

O relatório, encomendado pela Igreja alemã e publicado na quinta-feira, disse que o então cardeal Joseph Ratzinger não agiu contra clérigos em quatro casos quando era arcebispo de Munique entre 1977 e 1982.

Bento negou má conduta em relação aos casos em um comunicado escrito de 82 páginas enviado aos investigadores, mas Martin Pusch, um dos advogados que apresentou o relatório, afirmou que, embora o ex-papa alegue ignorância de alguns eventos, "na nossa opinião, isso é difícil de conciliar com os documentos".

Bento, 94, que está morando no Vaticano, disse por meio de seu secretário que ele ainda não havia lido o relatório na íntegra, mas daria "a atenção necessária" a ele.

O cardeal Gerhard Müller, também alemão e ex-chefe de Doutrina do Vaticano, disse ao jornal Corriere della Sera que havia pessoas "na Alemanha e em outros lugares que querem prejudicar" o ex-papa.

"É óbvio que, se houve erros, ele não sabia deles", disse Müller, que tem sido muito crítico do papa Francisco. Ele disse que Bento "não fez nada errado de maneira deliberada".

Bento, que renunciou em 2013, permanece um herói dos conservadores em disputa com o estilo de Francisco de deixar a Igreja mais aberta e receptiva.

Jornais conservadores italianos publicaram editoriais nesta sexta-feira defendendo Bento e atacando o relatório. O Libero afirmou que Bento havia sido "abandonado" pelas atuais autoridades do Vaticano, e o Il Foglio questionou as evidências de investigação alemã.

Mas Anne Barrett Doyle, co-diretora do grupo de rastreamento de abuso BishopAccountability.org, disse em um e-mail que promotores de Munique deveriam agir em cima do relatório.

"Eles deveriam intimar documentos de abuso e colher depoimentos de vítimas e testemunhas. Ex-autoridades arquidiocesanas, incluindo o papa Bento, deveriam ser obrigados a testemunhar sob juramento", disse.  

Como papa, Bento promulgou medidas mais duras que as de seus antecessores contra abusos sexuais, emitindo novas orientações e destituindo muitos abusadores durante o seu pontificado.

Ele puniu o padre Marcial Maciel, falecido mexicano fundador da ordem religiosa Legionários de Cristo, que era um dos mais notórios abusadores da Igreja. O papa anterior, João Paulo 2º, se recusou a acreditar nos vários relatos sobre os crimes de Maciel.

Em um discurso na sexta-feira, o papa Francisco prometeu avançar com a punição contra abusos e disse que a Igreja permaneceria "comprometida em levar justiça às vítimas". Ele não mencionou o relatório alemão.

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