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Conheça o Syriza, partido que dá esperança e medo aos gregos

24 jan 2015 - 21h44
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Líder do Syriza, Alex Tsipras promete reverter medidas de austeridade

Um grande retrato da revolucionária marxista Rosa Luxemburgo decora o escritório de Nikos Samanidis, um dos membros-fundadores da Coalizão da Esquerda Radical - ou Syriza, como o partido é conhecido entre os gregos.

Fundada em 2004, essa agremiação tem boas chances de vencer as eleições gerais gregas deste domingo, em que concorre contra o Nova Democracia, do primeiro-ministro Antonis Samaras.

A popularidade de seu líder, Alexis Tsipras, parece ser impulsionada pela crise econômica que nos últimos cinco anos empurrou um quarto dos trabalhadores gregos para o desemprego.

O atual governo implementou uma série de medidas de austeridade (como aumento de impostos e cortes de gastos), seguindo um script imposto pela União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu em troca de um pacote de resgate para a economia grega.

Samaras insistiu em sua campanha que, apesar dos inconvenientes causados por essas medidas, a Grécia está conseguindo equilibrar seu orçamento e sua economia tem mostrado sinais de recuperação. Mas a classe média ainda se sente maltratada e empobrecida pelos anos de austeridade.

O Syrisa é o primeiro partido antiausteridade da zona do euro. E se for eleito não só a Grécia será lançada em um mar de incertezas como outros partidos de extrem

a-esquerda europeus podem ganhar fôlego (como o Podemos, na Espanha).

Nascido como uma coalizão de treze grupos e partidos que inclui maoistas, trotskistas, comunistas, ambientalistas, social-democratas e populistas de esquerda o Syriza tinha pouca força eleitoral até 2012.

Em seus primeiros oito anos, a agremiação nunca conseguiu obter mais que 5% da preferência do eleitorado nas urnas.

Nas eleições gerais de 2012, porém, com o aprofundamento da crise econômica na Grécia, levou 27% dos votos, passando os sociais-democratas para se tornar a segunda força política da Grécia e a principal voz da oposição.

Líder do partido

Para o primeiro-ministro Antonis Samaras a Grécia está no caminho da recuperação

Tsipras, um líder político jovem (tem 40 anos) e carismático, foi fundamental nessa transformação do Syriza.

Conhecido por seus discursos empolgantes e sua aversão a gravatas, ele assumiu a liderança do partido em 2008 e foi eleito para o Parlamento em 2009.

"A crise econômica e o colapso dos partidos tradicionais certamente ajudaram a aumentar a influência do Syriza, mas foi Alexis Tsipras que catapultou o partido", explica Christoforos Vernardakis, professor de ciência política da Universidade Aristóteles de Salonica e fundador do instituto de pesquisas VPRC.

"Isso aconteceu porque Tsipras é jovem e não parece ter medo. Ele pegou uma esquerda que estava na defensiva e a transformou em uma opção crível para o governo."

Para seus simpatizantes, Tsipras é um líder nato, que trata com respeito quem está a seu redor. "Ele gosta de processos e decisões coletivas", diz Samanidis.

Nikos Karanikas, um velho amigo e colega de partido, por exemplo, diz que, apesar da ter se tornado um líder político proeminente, Tsipras ainda vive em um bairro de classe média de Kypseli, em Atenas, e continua a trabalhar como engenheiro civil.

Seus críticos, porém, costumam retratá-lo como um político arrogante, inexperiente e com fome de poder.

Mudança

No que diz respeito a suas propostas políticas, o Syriza não só se opõe ao resgate internacional da Grécia e às medidas de austeridade como quer renegociar parte da dívida grega.

Essas promessas têm gerado nervosismo nos mercados financeiros e já se especula sobre uma possível saída da Grécia da zona do euro.

De acordo com o correspondente da BBC na Grécia, Mark Lowen, muitos no país parecem dispostos a dar uma chance a Tsipras.

Outros, porém, acreditam que uma vitória do Syriza poderia aprofundar a crise no país e levar a um confronto entre a Grécia e a União Europeia.

No caso de uma vitória, o Syriza também pode ter dificuldade para formar uma coalizão se não conseguir maioria absoluta nas urnas - já que seus integrantes têm dito que não pretendem governar com apoio daqueles que veem com bons olhos políticas vindas da Europa.

Para Tsipras, uma vitória do Syrisa representaria o fim de um processo em que a Grécia estaria sendo "humilhada" por outros países europeus. "Vamos acabar essas ordens vindas do exterior", prometeu

Já para Samaras uma vitória da extrema esquerda poderia "converter o país em uma União Soviética". "O comunismo não vencerá", disse em um discurso feito na reta final para a votação.

Alex Tsipras (Reuters)
Alex Tsipras (Reuters)
Foto: BBC Mundo / Copyright
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