Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Conheça a prisão 'infernal' de Nova York onde está Nicolás Maduro

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, está preso Centro de Detenção Metropolitano de Nova York, conhecido pela sigla em inglês MDC Brooklyn, uma unidade prisional federal marcada por denúncias de superlotação. Conheça o estabelecimento.

6 jan 2026 - 15h03
Compartilhar
Exibir comentários

A captura e prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos chama atenção não apenas pela figura política em questão, mas também pelo local onde ele foi colocado sob custódia. Trata-se do Centro de Detenção Metropolitano de Nova York, conhecido pela sigla em inglês MDC Brooklyn, uma unidade prisional federal marcada por denúncias de superlotação. Ademais, também figura na imprensa local por ter infraestrutura precária e episódios de violência. Assim, a escolha do MDC Brooklyn, em particular, evidencia as contradições entre o discurso oficial de segurança e respeito a direitos humanos e a realidade documentada por organizações independentes.

O Centro de Detenção Metropolitano foi inaugurado na década de 1990 com o objetivo de desafogar outras unidades federais na região de Nova York, concentrando principalmente detentos em regime de prisão preventiva. Ademais, projetado em formato vertical e com capacidade para abrigar centenas de pessoas, o prédio recebe tanto homens quanto mulheres. Assim, inclui réus aguardando julgamento ou transferência para outras prisões. Com o passar do tempo, o MDC Brooklyn ganhou fama não apenas pela quantidade de casos de grande repercussão sob sua responsabilidade. Mas também por relatos persistentes de falta de pessoal, conflitos entre detentos, deficiências estruturais e dificuldades na prestação de serviços básicos, como fornecimento de energia, ventilação adequada e manutenção sanitária.

Maduro foi capturado por forças dos Estados Unidos e conduzido ao país para julgamento – Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Maduro foi capturado por forças dos Estados Unidos e conduzido ao país para julgamento – Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Foto: Giro 10

O que torna o MDC Brooklyn um símbolo de crise carcerária?

O MDC Brooklyn aparece com frequência como exemplo de unidade que ilustra a crise estrutural do sistema prisional federal. Relatórios de organizações de direitos civis, defensores públicos, advogados privados e ex-detentos descrevem um padrão de problemas recorrentes. Entre eles estão celas superlotadas, instalações deterioradas, falhas em sistemas de aquecimento e refrigeração. Além da demora no atendimento médico, inclusive em situações de urgência. Ademais, a escassez de agentes penitenciários para cobrir todos os turnos e setores aprofunda o cenário de instabilidade.

Incidentes graves registrados em passado recente, como esfaqueamentos fatais, mortes decorrentes de brigas e alegações de uso excessivo da força por parte de agentes, reforçam a percepção de vulnerabilidade dentro do Centro de Detenção Metropolitano. O episódio mais emblemático, porém, ocorreu em 2019, quando uma queda de energia deixou a unidade praticamente às escuras e com temperaturas muito baixas por vários dias, em pleno inverno. Detentos ficaram trancados nas celas, com banheiros apresentando defeitos, pouca assistência médica e acesso limitado a roupas de frio e cobertores. A situação gerou forte repercussão na imprensa, inspeções emergenciais, ações judiciais coletivas e, posteriormente, um acordo milionário do governo federal com mais de 1.600 presos afetados.

MDC Brooklyn: por que tantos presos famosos passam por lá?

Outra característica que torna o MDC Brooklyn um foco constante de atenção é o perfil de parte de sua população carcerária. Por estar próximo a importantes cortes federais, como as do Distrito Leste e do Distrito Sul de Nova York, o centro funciona como ponto de passagem para diversos réus envolvidos em processos de alto impacto midiático. A unidade já recebeu figuras conhecidas do entretenimento, executivos do setor financeiro acusados de fraude, investigados por escândalos envolvendo criptomoedas, suspeitos de terrorismo, colaboradores de esquemas de corrupção e integrantes de organizações de tráfico de drogas em larga escala. Na prática, o MDC se consolidou como uma espécie de porta de entrada para casos federais de grande visibilidade na região metropolitana de Nova York e em distritos próximos.

Apesar do histórico de problemas, autoridades penitenciárias e o Bureau of Prisons (BOP) afirmam que a unidade passou por reformas e aumento de efetivo a partir de 2020, com a meta de reduzir episódios de violência, melhorar as condições básicas e responder a decisões judiciais e recomendações de órgãos de fiscalização. Em relatórios recentes, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos aponta supostos avanços em segurança interna, revisão de protocolos disciplinares, reparos em sistemas elétricos e hidráulicos e ampliação de treinamentos para funcionários.

Como é o tratamento de presos de alto perfil no Centro de Detenção Metropolitano?

Nos casos em que o MDC Brooklyn recebe pessoas classificadas como de alto risco ou de grande visibilidade pública, a administração tende a adotar protocolos diferenciados. Ex-diretores do sistema prisional e especialistas em segurança prisional explicam que a diretriz predominante, nessas situações, é limitar ao máximo o contato desse preso com a população carcerária geral. Com isso, o foco se dá tanto na proteção física do detento quanto na prevenção de incidentes que possam gerar repercussão internacional.

Para reduzir a chance de ataques, ameaças ou tentativas de extorsão, é comum que esse tipo de interno permaneça confinado por até 23 horas por dia em cela individual, com movimentação rigidamente controlada e escolta reforçada. O período diário de exercício físico costuma ocorrer em áreas cercadas, separadas dos demais presos, e em horários alternados para evitar encontros em corredores e pátios. As refeições são geralmente entregues na própria cela, e o acesso a banho e higiene pessoal segue um cronograma fixo, em dias e horários pré-estabelecidos. Em algumas situações, familiares próximos ou antigos colaboradores que também estejam sob custódia podem ser mantidos em regime similar, justamente para reduzir riscos de retaliação ou exposição a grupos rivais dentro do presídio. Além disso, há triagens rigorosas para visitas de advogados, diplomatas e representantes consulares, com inspeções de segurança mais detalhadas.

  • Isolamento físico: cela individual, limitação de circulação e uso de andares ou alas com acesso controlado;
  • Monitoramento reforçado: vigilância constante por câmeras, rondas frequentes e registro detalhado de incidentes;
  • Contato restrito: controle rígido de visitas, telefonemas, videoconferências e correspondências, com revisão de conteúdo quando permitido pela lei;
  • Rotina limitada: horários específicos para banho de sol, higiene, consultas médicas e atendimento jurídico, muitas vezes separados dos demais internos.
O MDC Brooklyn aparece com frequência como exemplo de unidade que ilustra a crise estrutural do sistema prisional federal – Kidfly182/Wikimedia Commons
O MDC Brooklyn aparece com frequência como exemplo de unidade que ilustra a crise estrutural do sistema prisional federal – Kidfly182/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Quais são os principais desafios e perspectivas para o MDC Brooklyn?

O cenário atual do Centro de Detenção Metropolitano resulta da sobreposição de problemas históricos e pressões contemporâneas. De um lado, há decisões judiciais, acordos financeiros milionários, relatórios de inspeções federais e recomendações de comissões independentes que exigem melhorias em infraestrutura, políticas de saúde e gestão de pessoal. De outro, persistem desafios crônicos, como a dificuldade de atrair e manter agentes penitenciários em número suficiente. Ademais, há questões como envelhecimento da estrutura física, equipamentos obsoletos e a necessidade permanente de equilibrar segurança interna com o respeito a direitos básicos garantidos por normas nacionais e tratados internacionais de direitos humanos.

Especialistas em políticas criminais, organizações de monitoramento do sistema prisional e acadêmicos da área de criminologia apontam alguns pontos considerados fundamentais para qualquer avanço consistente no MDC Brooklyn e em unidades com perfil semelhante:

  1. Investimento em pessoal: contratação, remuneração adequada e treinamento contínuo de agentes, profissionais de saúde, psicólogos e equipes técnicas, com foco em prevenção de conflitos e atendimento humanizado;
  2. Manutenção preventiva: revisão periódica de sistemas elétricos, hidráulicos, de climatização e de segurança eletrônica, evitando situações de emergência como a de 2019;
  3. Transparência: divulgação de relatórios públicos mais detalhados sobre incidentes, mortes, queixas formais de detentos e investigações internas, permitindo controle social mais efetivo;
  4. Supervisão externa: fortalecimento de visitas de órgãos independentes, defensores públicos, entidades de direitos humanos, comissões parlamentares e representantes internacionais, quando houver presos estrangeiros;
  5. Protocolos específicos para detentos vulneráveis: criação e aplicação de regras claras para presos de alto perfil, idosos, pessoas com doenças crônicas, transtornos mentais ou histórico de violência dirigida, garantindo segurança sem violar padrões mínimos de dignidade.

Conclusões sobre as condições da prisão onde está Nicolás Maduro

Nesse contexto, o MDC Brooklyn continua a funcionar como um laboratório das tensões e contradições do sistema prisional federal norte-americano. Ao mesmo tempo em que concentra alguns dos casos criminais mais comentados dos últimos anos, também revela limites de infraestrutura, gestão e controle institucional. A permanência de figuras como Nicolás Maduro na unidade renova o debate sobre até que ponto essas prisões estão preparadas para assegurar, simultaneamente, diversos aspectos. Entre eles, a integridade física dos internos, o devido processo legal, a cooperação com autoridades internacionais e a responsabilidade perante a opinião pública interna e externa.

Giro 10
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade