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Análise/Morte de Khamenei lança dúvidas sobre futuro de regime no Irã

Guia supremo preparou plano detalhado para sua sucessão

28 fev 2026 - 20h33
(atualizado às 20h41)
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Por Alberto Zanconato - Se o objetivo declarado de Estados Unidos e Israel com os ataques ao Irã era promover uma mudança de regime, o líder supremo Ali Khamenei era um alvo inevitável. E assim se confirmou: após horas de rumores e desmentidos, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a morte do aiatolá que comandou o país persa com mão de ferro por mais de três décadas.

Ali Larijani deve liderar processo de transição no Irã
Ali Larijani deve liderar processo de transição no Irã
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O que se sabe até agora é que o próprio aiatolá, ciente de que um ataque poderia ocorrer a qualquer momento, havia preparado um minucioso plano de emergência para garantir a continuidade do sistema caso fosse assassinado ou sequestrado, assim como ocorreu com o venezuelano Nicolás Maduro.

Fontes internas do regime revelaram que Khamenei, temendo um cenário extremo desde a guerra dos 12 dias no ano passado, deixou diretrizes claras para a sucessão.

A iniciativa reflete as capacidades organizacionais que permitiram a Khamenei, ao longo de 37 anos como guia supremo, consolidar sua rede de comando em todos os órgãos vitais do sistema, a começar pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica.

Essa habilidade política sempre foi seu principal trunfo, especialmente porque, quando o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, o indicou como sucessor, em 1989, Khamenei sequer havia alcançado o título de aiatolá. A escolha, como o próprio Khomeini justificou, baseou-se em suas capacidades políticas, consideradas mais relevantes que as espirituais.

Ao longo das décadas, Khamenei fez valer essa escolha, fortalecendo seu poder a despeito da resistência de muitos grandes clérigos xiitas, especialmente das influentes escolas teológicas do Iraque.

Durante o conflito do ano passado, a liderança político-militar iraniana, sob as ordens de Khamenei, conseguiu manter a cadeia de comando mesmo quando o guia supremo foi isolado em um abrigo secreto por razões de segurança, e o uso da internet e de outros meios de comunicação foi drasticamente reduzido.

Fontes internas disseram ao jornal The New York Times que o líder de 86 anos aprendeu com aquela experiência e foi além, deixando instruções detalhadas para serem seguidas em caso de sua morte.

De acordo com essas fontes, a continuidade do regime está agora nas mãos de Ali Larijani. Nomeado em agosto passado para a secretaria do Conselho de Segurança Nacional, ele é uma das principais figuras do chamado conservadorismo pragmático no Irã e pertence a uma família cuja história está intimamente ligada à da República Islâmica.

O plano prevê que Larijani seja assessorado por outras duas figuras de peso: o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ex-presidente reformista Hassan Rohani. Juntos, eles formariam uma espécie de conselho de gestão emergencial dos assuntos de Estado.

A solução, contudo, é vista como provisória. Caberá à Assembleia dos Especialistas, composta por 88 membros, eleger um novo guia supremo em momento oportuno.

Um detalhe chama a atenção nos bastidores da sucessão: o nome do filho de Khamenei, Mojtaba, não figura entre os indicados para assumir o comando na transição, apesar de ele ter sido apontado por anos, especialmente por setores da oposição, como provável substituto do pai.

Em um artigo publicado nesta semana na revista Foreign Affairs, Nate Swanson, analista que passou quase 20 anos no Departamento de Estado lidando com o Irã, escreveu que, "independentemente de quão enfraquecido o Irã esteja ou de quanta força os EUA empreguem", Khamenei jamais aceitaria negociar o fim da República Islâmica, porque "preferiria morrer como mártir".

A profecia, ao que tudo indica, cumpriu-se. Resta saber se o sistema que ele ajudou a erguer e preservar por quase quatro décadas sobreviverá à sua ausência.   

Ansa - Brasil
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