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Perfil/Ali Khamenei, o protetor da revolução escolhido por Khomeini

Aiatolá transformou Irã em símbolo da oposição ao Ocidente

28 fev 2026 - 19h21
(atualizado às 19h42)
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O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989, morreu neste sábado (28), aos 86 anos, em um ataque dos Estados Unidos e de Israel contra alvos políticos e militares na República Islâmica.

Ali Khamenei diante de foto de Ruhollah Khomeini em Teerã, em abril de 2006
Ali Khamenei diante de foto de Ruhollah Khomeini em Teerã, em abril de 2006
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A informação foi confirmada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, mergulhando o país persa em um cenário de profunda incerteza sobre quem assumirá o comando de uma nação central para o destino do Oriente Médio.

Figura central na geopolítica do Oriente Médio por mais de três décadas, Khamenei era o guardião da ortodoxia da Revolução de 1979 e o principal arquiteto da política de oposição inflexível ao Ocidente. Sua morte representa o maior golpe no establishment religioso e político iraniano desde o falecimento do aiatolá Ruhollah Khomeini, o fundador da República Islâmica, em 1989.

Nascido em 1939, em Mashhad, em uma família devota de origem azerbaijana, Khamenei recebeu formação religiosa desde jovem e nunca abandonou a crença no islamismo xiita como pilar fundamental da sociedade. Ainda na casa dos 20 anos, conheceu Khomeini na cidade sagrada de Qom, fortalecendo sua oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi, que havia aproximado o Irã do Ocidente e conduzia um regime de oposição brutal contra opositores.

Sua trajetória como dissidente incluiu passagens pela prisão: foi detido seis vezes e chegou a ser condenado a três anos de exílio em Iranshahr, no sul do país. Retornou a Teerã a tempo de participar ativamente da Revolução Islâmica, tornando-se membro do Conselho Revolucionário. O próprio Khomeini o nomeou imã da oração de sexta-feira na capital.

Em 1981, Khamenei tornou-se o primeiro clérigo a ocupar a presidência da República Islâmica, em um momento em que a convergência entre marxismo e radicalismo islâmico que havia ajudado na ascensão de Khomeini já tinha se perdido, e a extrema esquerda já era marginalizada pela nova classe dirigente.

Enquanto a consolidação do poder do então guia supremo sufocava opositores, obrigava as mulheres a usar véu e transformava o Irã no símbolo anti-Israel e anti-EUA, a carreira política de Khamenei decolava.

Durante a guerra contra o Iraque, nos anos 1980, participou ativamente do conflito e contribuiu para o fortalecimento da Guarda Revolucionária, força de elite que se tornaria o braço armado da influência iraniana na região, além de protetora da ideologia do regime.

Foi reeleito presidente em 1985. Em junho de 1989, esteve entre os poucos presentes à beira do leito de morte de Khomeini, que o designou como sucessor. Na mesma sala estavam figuras como o filho do finado imã, Ahmad, o futuro presidente Hashemi Rafsanjani, e Mehdi Karroubi e Mir-Hossein Mousavi - estes dois últimos, líderes do que viria a ser conhecido como "Revolução Verde", o movimento de protesto contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2009, reprimido com violência a mando de Khamenei.

Se Khomeini foi o arquiteto da Revolução Islâmica, Khamenei consolidou-se como seu mais inflexível guardião. Durante seu longo mandato, o Irã expandiu o chamado "eixo da resistência", estendendo sua influência ao Líbano, Síria, Iraque e Iêmen, enquanto desafiava abertamente a hegemonia americana e a existência de Israel.

Internamente, sua palavra sempre foi tida como lei. Cabia a ele nomear os chefes do Judiciário, comandar as Forças Armadas e ditar a linha política da Guarda Revolucionária. Mesmo diante das ondas de protestos populares que marcaram os últimos anos - dos movimentos por direitos das mulheres às revoltas contra a crise econômica -, a resposta do aiatolá foi sempre a doutrina da firmeza, blindando o regime contra qualquer tentativa de reforma liberal.

Para além da política, Khamenei cultivava a imagem de intelectual, poeta e músico. Era um apaixonado tocador de tar, o tradicional instrumento de cordas persa, mas foi forçado a abandoná-lo após um atentado em 1981. Na ocasião, um artefato explosivo escondido em um gravador foi detonado enquanto ele discursava em uma mesquita em Teerã. O clérigo sobreviveu milagrosamente, mas perdeu os movimentos da mão direita.

Ao contrário do semblante severo e ameaçador de Khomeini, Khamenei aparecia frequentemente em público com um sorriso no rosto, carisma que contrastava com a dureza de suas políticas.

Ansa - Brasil
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