Conheça a fraternidade que ignorou Papa e promoveu cisma na Igreja
Os chamados 'lefebvrianos' ordenaram bispos à revelia do Vaticano
Por Nina Fabrizio - O novo cisma da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX), com as ordenações episcopais realizadas nesta quarta-feira (1º), em Écône, na Suíça, reaviva um conflito que atravessa os últimos quatro pontificados e teve como seu capítulo mais dramático a excomunhão imposta pelo papa João Paulo II, em 1988.
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), em Friburgo, a fraternidade reúne tradicionalistas que rejeitam as reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965), incluindo o ecumenismo, a abertura aos leigos e a substituição da missa em latim pela celebração em línguas vernáculas.
Seus seguidores, em sua maioria, não reconhecem a legitimidade das mudanças e defendem a preservação da liturgia tridentina.
O confronto com o Vaticano atingiu seu ponto máximo em 1988, quando Lefebvre, sem autorização papal, ordenou quatro bispos - Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta -, provocando a excomunhão imediata de todos os envolvidos.
O gesto foi visto como um ato cismático e um desafio direto à autoridade do Papa. Desses quatro, dois ? Fellay e De Galarreta ? continuam vivos e celebraram a ordenação desta quarta-feira.
Em 2009, o papa Bento XVI, em um gesto de reconciliação, revogou a excomunhão dos bispos e criou a Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei" para tentar reintegrar a fraternidade à plena comunhão com o Vaticano. O episódio, no entanto, gerou controvérsia internacional quando se descobriu que um dos bispos, Richard Williamson, era negacionista do Holocausto, o que provocou duras críticas ao pontífice.
Apesar dos esforços, o diálogo não avançou. Em 2019, o papa Francisco extinguiu a comissão e transferiu o assunto para o Dicastério para a Doutrina da Fé, reconhecendo que a reconciliação plena ainda estava distante.
Hoje, a Fraternidade de São Pio X conta com cerca de 733 sacerdotes, dois bispos (além dos quatro ordenados nesta quarta), 145 irmãos professos, 250 irmãs oblatas, 268 seminaristas e aproximadamente 600 mil fiéis no mundo, todos defensores da Igreja anterior ao Concílio Vaticano II e da missa tridentina e críticos do ecumenismo e da liberdade religiosa.
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