Como será escolhido próximo secretário-geral da ONU e quem quer o cargo?
Um novo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) será eleito este ano para um mandato de cinco anos com início em 1º de janeiro de 2027.
Veja quem são os candidatos -- e possíveis candidatos -- até o momento, além de detalhes sobre como será escolhido o sucessor do atual chefe da ONU, António Guterres:
QUANDO COMEÇA O PROCESSO?
A corrida começou formalmente quando Serra Leoa, então presidente do Conselho de Segurança da ONU, e Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral da ONU, enviaram uma carta conjunta solicitando indicações em 25 de novembro.
Um candidato deve ser indicado por um Estado-membro da ONU.
Tradicionalmente, o cargo é rotativo entre as regiões, mas quando Guterres -- que é de Portugal -- foi eleito em 2016, era a vez da Europa Oriental. A próxima na lista é a América Latina. No entanto, alguns diplomatas esperam candidatos de outras regiões.
Baerbock pediu aos países que indiquem candidatos até 1º de abril para que possam participar dos chamados diálogos interativos na semana de 20 de abril, que serão transmitidos online.
Nessas reuniões, os candidatos poderão apresentar sua visão e os Estados-membros da ONU poderão fazer perguntas.
QUEM QUER SER O PRÓXIMO SECRETÁRIO-GERAL?
RAFAEL GROSSI - ARGENTINA: Quando questionado pela Reuters em 3 de setembro, Grossi disse que definitivamente iria concorrer: "Sim, vou fazer isso, sim".
Diplomata argentino veterano, Grossi é diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cargo que ocupa desde 2019. A Argentina o indicou formalmente em 26 de novembro de 2025.
MICHELLE BACHELET - CHILE: A ex-presidente chilena foi formalmente indicada para o cargo por Chile, Brasil e México em 2 de fevereiro. Bachelet foi a primeira mulher presidente do Chile, ocupando o cargo duas vezes. Bachelet foi alta comissária da ONU para os direitos humanos de 2018 a 2022 e diretora executiva da ONU Mulheres de 2010 a 2013.
Em sua declaração para o cargo, ela disse estar confiante de que sua experiência a preparou "para enfrentar um momento em que o sistema internacional enfrenta desafios sem precedentes em escala, urgência e complexidade", e prometeu se concentrar em "reconstruir a confiança nas Nações Unidas".
REBECA GRYNSPAN - COSTA RICA: A Costa Rica indicará a ex-vice-presidente Rebeca Grynspan, disse o presidente Rodrigo Chaves em 8 de outubro. Grynspan, política e economista, atualmente atua como secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.
MACKY SALL - SENEGAL: Um porta-voz da ONU disse em 2 de março que Sall, ex-presidente do Senegal, havia sido indicado pelo Burundi.
COMO É O PROCESSO?
O Conselho de Segurança da ONU recomendará formalmente um candidato à Assembleia Geral para a eleição do 10º secretário-geral da ONU ainda este ano.
O Conselho de Segurança realizará votações secretas -- conhecidas como sondagens -- até que se chegue a um consenso sobre um candidato. As opções dadas aos membros do conselho para cada candidato na sondagem são: incentivar, desencorajar ou sem opinião.
Por fim, os cinco membros permanentes do conselho com direito a veto -- Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França -- devem chegar a um acordo sobre um candidato.
As cédulas para os poderes de veto na sondagem são tradicionalmente de uma cor diferente das dos 10 membros eleitos.
Quando Guterres foi escolhido em 2016 para ser recomendado à Assembleia Geral, foram necessárias seis sondagens para que o Conselho de Segurança chegasse a um acordo.
O Conselho então adota uma resolução, tradicionalmente a portas fechadas, recomendando uma nomeação à Assembleia. A resolução precisa de nove votos a favor e nenhum veto para ser aprovada.
A aprovação da nomeação de um secretário-geral pela Assembleia Geral é vista há muito tempo como um mero carimbo.
QUÃO TRANSPARENTE É O PROCESSO?
A ONU tem trabalhado para melhorar a transparência do processo de escolha, que é historicamente obscuro.
Em uma resolução adotada em setembro de 2025, a Assembleia Geral disse que cada candidato deve apresentar uma declaração de visão quando for formalmente nomeado e ter a oportunidade de apresentá-la. A declaração de visão também deve ser publicada em uma página dedicada da ONU na internet.
A Assembleia afirmou que cada candidato deve divulgar suas fontes de financiamento e que qualquer candidato que já ocupe um cargo na ONU "deve considerar a suspensão de seu trabalho no sistema das Nações Unidas durante a campanha, com o objetivo de evitar qualquer conflito de interesses que possa surgir de suas funções e vantagens adjacentes".
O QUE FAZ O SECRETÁRIO-GERAL?
A Carta das Nações Unidas define o secretário-geral como o "diretor administrativo" do órgão mundial. O site da ONU descreve a função como "em partes iguais diplomata e defensor, funcionário público e diretor executivo".
Guterres atualmente supervisiona milhares de funcionários civis e 11 operações de manutenção da paz. O orçamento anual básico das Nações Unidas é de US$3,45 bilhões, enquanto o orçamento para manutenção da paz é de US$5,4 bilhões.
Como o poder de autorizar o uso da força militar ou sanções cabe ao Conselho de Segurança, o chefe da ONU tem pouco mais do que um púlpito influente. Muitos diplomatas dizem que os cinco membros com direito a veto no Conselho preferem um "secretário".
ALGUMA MULHER JÁ FOI SECRETÁRIA-GERAL?
Não. Há uma pressão crescente para que as Nações Unidas escolham a primeira mulher secretária-geral em seus 80 anos de história.
Na resolução adotada em setembro, a Assembleia Geral observou "com pesar que nenhuma mulher jamais ocupou o cargo de secretária-geral" e incentivou os países a "considerarem seriamente a indicação de mulheres como candidatas".