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Como o controle sobre as reservas de petróleo venezuelana se tornaram uma prioridade para Trump

Governo Trump afirma que ataques são para conter o narcotráfico, mas nos bastidores a história é outra

3 jan 2026 - 11h30
(atualizado às 18h39)
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Área externa de uma refinaria de petróleo na Venezuela em meio a tensões com os EUA
Área externa de uma refinaria de petróleo na Venezuela em meio a tensões com os EUA
Foto: Jesus Vargas/Getty Images

O ataque aéreo promovido pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que culminou na captura do líder Nicolás Maduro, na madrugada deste sábado, 3, tem como objetivo assumir controle das reservas de petróleo e minerais do país. Pelo menos é o que diz um comunicado do governo venezuelano, ao afirmar que os norte-americanos “não terão sucesso” ao tentar tomar esse os recursos. 

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, e seus assessores insistem em dizer que as operações militares em torno da Venezuela e a pressão contra Maduro são para proteger os americanos do tráfico de drogas. No entanto, o país não é produtor de entorpecentes e os narcóticos contrabandeados na região vão, sobretudo, para a Europa.

Segundo o The New York Times, nos bastidores, a conversa é outra, e confirma a hipótese lançada pelo governo venezuelano: os EUA se concentram intensamente nas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.

No final de 2025, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz e principal líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, destacou em uma conferência de negócios em Miami, sobre o valor das reservas. “Estou falando de uma oportunidade de US$ 1,7 trilhão”, declarou à executivos e políticos americanos, incluindo o presidente Trump.

“Vamos abrir tudo, upstream, midstream, downstream, para todas as empresas”, afirmou ao dar destaque aos seus minerais e infraestrutura de energia. Ela também já havia se gabado do “potencial infinito” de seu país para as empresas americanas no podcast apresentado pelo filho mais velho do presidente, Donald Trump Jr.

Donald Trump e Nicolás Maduro
Donald Trump e Nicolás Maduro
Foto: Reprodução/Instagram/realdonaldtrump/nicolasmaduro

Trump também já havia deixado claro publicamente seu interesse em controlar as reservas da Venezuela. Em 2023, em um discurso para republicanos na Carolina do Norte, ele afirmou: “Quando eu saí, a Venezuela estava pronta para entrar em colapso. Nós teríamos assumido o controle, teríamos obtido todo aquele petróleo, que ficava bem ao lado”.

A apreensão de um petroleiro que cruzava o Mar do Caribe transportando petróleo bruto para Cuba e China, feita pelos Estados Unidos em dezembro, ressaltou o papel do combustível fóssil nas tensões crescentes entre Maduro e Trump. Na ocasião, o presidente americano declarou que ficaria com a carga. 

Desde agosto, uma flotilha militar norte-americana foi enviada ao Caribe e quase 30 embarcações já foram bombardeadas, causando mais de cem mortes. Esses atos são considerados ilegais por muitos especialistas jurídicos. 

O que levou Trump à esse interesse?

Fica fácil entender esse interesse todo dos EUA, quando Trump já declarou duas prioridades de segurança nacional: domínio dos recursos energéticos e o controle do Hemisfério Ocidental. 

A Venezuela tem cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, o que corresponde a mais de 300 bilhões de barris, quase quatro vezes a quantidade do país norte-americano. Nenhuma nação tem uma presença maior na indústria petrolífera da Venezuela do que a China, a superpotência cuja imensa presença comercial no hemisfério ocidental o governo Trump pretende reduzir.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Foto:

“Quando o presidente Trump fala sobre a Venezuela e outros países semelhantes, ele sempre enfatiza a importância de os EUA terem acesso a esses recursos petrolíferos”, destaca Francisco R. Rodríguez, professor da Universidade de Denver que estuda a economia política da Venezuela.

Negociações não deram em nada

A possibilidade de obter maior acesso ao petróleo da Venezuela vem sendo debatida por assessores de Trump nos últimos meses. O objetivo é que empresas americanas trabalhem com esse material. 

As negociações para tentar chegar a um grande acordo com Maduro foram lideradas por Richard Grenell, enviado especial para a Venezuela e presidente do Kennedy Center. O presidente venezuelano chegou a fazer uma oferta a Trump, incluindo a abertura da indústria petrolífera do país aos americanos, além do acesso limitado concedido à Chevron, que opera com uma licença confidencial recém-prorrogada pelo governo norte-americano.

No entanto, Trump recusou, pois um grupo de assessores --liderado por Marco Rubio, secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional--, argumentou que Maduro não é confiável e está ganhando tempo. Eles, então, passaram a pressionar pela destituição forçada de Maduro, argumentando que um líder conservador e orientado para o livre mercado --ou seja, Machado-- favoreceria as empresas americanas e limitaria os investimentos chineses.

Trump e Maduro tiveram uma conversa em novembro, via ligação telefônica, na qual o presidente dos EUA sugeriu que ele deixasse o cargo. Mesmo com o aumento das forças militares americanas no país e no Caribe e das ameaças de Trump de intensificar os ataques, Maduro se recusou a deixar o poder. 

O ex-funcionário do Departamento de Estado, Tom Warrick, que também atuou como advogado da indústria petroleira, disse ao Times que, caso os EUA apreendessem mais alguns petroleiros que transportam o combustível fóssil venezuelano, empresas poderiam evitar o país. Isso geraria uma uma consequente perda de receitas do petróleo. 

“A Venezuela tem uma quantidade relativamente pequena de dinheiro em caixa, então a perda desse petroleiro começará a causar danos rapidamente”, declarou. 

Embora, Trump não fale publicamente sobre ajudar as empresas americanas a conseguir  uma fatia maior do petróleo, frequentemente menciona isso em particular, segundo pessoas familiarizadas com as conversas.

A China é a principal compradora do petróleo venezuelano, com 80% da commodity, o que faz com esse seja um baluarte contra as sanções econômicas impostas pelo primeiro governo Trump e mantidas pelo presidente Joe Biden. As negociações de Trump feitas durante o ano também incluíam a expulsão de as empresas petrolíferas chinesas e russas da Venezuela, para abrir um papel maior para as empresas americanas.

Inclusive, em abril de 2025, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu aos líderes chineses que fossem feitos mais investimentos na indústria de seus país, como a compra de mais petróleo bruto. 

Como nos últimos anos o governo chinês tenha reduzido seus investimentos diretos na indústria venezuelana, Maduro se mostrava bastante interessado em atrair mais investimentos americanos, segundo autoridades americanas. Em contrapartida, ele se manteve inflexível em manter o poder, então, as negociações ficaram paralisadas.

Fonte: Portal Terra
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