China e Taiwan se preparam para tufão Bavi, possivelmente a tempestade mais forte em anos
Pescadores se refugiaram nos portos, moradores fizeram fila para receber sacos de areia e agricultores correram para colher suas safras nesta quinta-feira, conforme China e Taiwan se preparavam para o tufão Bavi, possivelmente a tempestade tropical mais destrutiva dos últimos anos.
Enquanto o Bavi se agitava a sudeste de Taiwan, equipes de resgate no sul da China continuavam a procurar vítimas e sobreviventes do tufão Maysak, que matou pelo menos 39 pessoas no início desta semana.
Na cidade pesqueira de Suao, no nordeste de Taiwan, centenas de barcos se aglomeraram no porto para se proteger da tempestade que se aproximava.
"Não se deixe enganar pelo tempo agradável e calmo de agora. Uma tempestade como essa pode ser a mais aterrorizante", disse Chen Ming-hui, capitão de um barco de pesca de 3 toneladas métricas, relembrando como tufões anteriores afundaram barcos e inundaram a cidade.
As autoridades de Taiwan alertaram que o Bavi pode trazer até um metro de chuva às montanhas ao norte de Taipé e colocaram cerca de 29 mil soldados em estado de alerta, segundo o Ministério da Defesa.
O Bavi, com ventos que se aproximam de 200 km/h (124 mph), se estende por cerca de 1.000 km (621 milhas) em seu ponto mais largo — aproximadamente a largura da França — e deve contornar o norte de Taiwan antes de atingir a costa da província de Fujian, no leste da China, na noite de sábado, de acordo com o Centro Meteorológico Nacional da China.
Tempestades desse porte têm sido "bastante raras nos últimos anos", disse Jason Chang, meteorologista da Administração Central de Meteorologia de Taiwan, à Reuters, acrescentando que o Bavi deve ser a maior tempestade em termos de extensão a atingir a ilha desde 1987.
O principal aeroporto internacional de Taiwan, em Taoyuan, informou que as companhias aéreas taiwanesas cancelaram todos os voos de partida no sábado devido ao tufão.
Do outro lado do Estreito de Taiwan, equipes de resgate na região de Guangxi, na China, ainda vasculhavam os escombros deixados pelo tufão Maysak. Pelo menos 39 pessoas morreram, e outras nove continuam desaparecidas.
A China, segunda maior economia do mundo, assim como os vizinhos Japão e Taiwan, estão cada vez mais expostos a eventos climáticos destrutivos que os cientistas associam às mudanças climáticas. Este ano é motivo de especial preocupação, pois o surgimento previsto do El Niño pode elevar as temperaturas e contribuir para a ocorrência de tufões mais frequentes e intensos.
"Prevê-se alguma diminuição na intensidade dos ventos a partir de quinta-feira, mas o Bavi continuará sendo uma tempestade perigosa ao atingir Taiwan e o leste da China entre o final da sexta-feira e a segunda-feira", disse Jason Nicholls, especialista da AccuWeather, um serviço comercial de previsão do tempo.
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