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Casos de Covid disparam em província na Itália após atos antivax

Trieste teve o dobro de contágios na semana passada

1 nov 2021 11h47
| atualizado às 11h56
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A província de Trieste, no nordeste da Itália, vive um aumento exponencial dos novos casos de Covid-19 após ter sido palco de grandes protestos de grupos antivacinas contra um certificado sanitário imposto pelo governo nacional.

Protesto contra certificado sanitário em Trieste, nordeste da Itália
Protesto contra certificado sanitário em Trieste, nordeste da Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O epidemiologista Fabio Barbone, chefe da força-tarefa contra a pandemia na região de Friuli Veneza Giulia, disse nesta segunda-feira (1º) que a província de Trieste registrou 801 novos diagnósticos positivos na semana passada, o dobro dos sete dias anteriores.

"O aumento dos novos casos em Trieste é exponencial", declarou Barbone. Na semana passada, a taxa de infecção na província ficou em 350 casos por cada 100 mil habitantes, quase o triplo do restante da região e semelhante à incidência do último trimestre de 2020, quando teve início a "segunda onda" na Itália.

A alta nos casos de Covid acontece cerca de duas semanas depois de Trieste ter registrado vários dias de protestos contra o chamado "passe verde", passaporte sanitário criado pelo governo e distribuído para vacinados, curados ou testados contra o novo coronavírus.

A apresentação desse certificado é obrigatória em todos os locais de trabalho na Itália desde 15 de outubro, medida que gerou protestos de grupos antivacinas. Durante os atos, que chegaram a bloquear um dos acessos ao importante Porto de Trieste, os manifestantes estavam em sua maioria sem máscara e sem respeitar distanciamento.

Até o momento, já foram identificados pelo menos 93 casos de Covid ligados às manifestações em Trieste, número que era de 46 até o fim da semana passada.

"O andamento nas últimas semanas é de progressivo aumento da incidência, mas na semana passada em particular houve um agravamento da situação", explicou Barbone.

Cerca de 83% do público-alvo (pessoas a partir de 12 anos) foi totalmente vacinado na Itália, e o epidemiologista diz que o Friuli Veneza Giulia está "um pouco abaixo" da média nacional. As menores coberturas estão na faixa entre 40 e 70 anos.

"Chega de idiotice! As pessoas não se tratam porque um ou outro palhaço conta mentiras para assustar os cidadãos. A vacina existe, funciona e tem pouquíssimas contraindicações", declarou nesta segunda-feira o governador de Friuli Veneza Giulia, Massimiliano Fedriga, do partido de ultradireita Liga.

O secretário federal da legenda, Matteo Salvini, é um dos políticos que já lançaram dúvidas publicamente sobre as vacinas anti-Covid, especialmente para adolescentes, e o partido é contra a obrigatoriedade da imunização. "A vacina não é experimental", concluiu Fedriga.

Já a administração da província de Trieste proibiu manifestações na praça principal da cidade homônima até o fim do ano e prometeu multar quem protestar sem distanciamento e sem máscara. 

Ansa - Brasil   
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