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Caso de Ebola é confirmado em área do Congo longe do epicentro do surto

21 mai 2026 - 16h14
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Um caso de Ebola foi confirmado na província de ‌Kivu do Sul, no leste da República Democrática do Congo, a centenas de quilômetros do epicentro do surto, informou a aliança rebelde que controla a área nesta quinta-feira.

O caso, registrado em uma área rural próxima à capital da província, Bukavu, sinaliza a disseminação de um surto que, segundo especialistas, circulou sem ser detectado por cerca de dois meses na província ⁠de Ituri, várias centenas de quilômetros ao norte, antes de ser identificado na semana passada.

O surto ‌resultou em 160 mortes suspeitas entre 670 casos suspeitos, e 61 dos casos foram confirmados, de acordo com dados do Ministério da Saúde da RDC publicados nesta quinta-feira.

Dois casos também ‌foram confirmados na vizinha Uganda, que na quinta-feira anunciou ‌a suspensão de voos para a RDC com efeito nas próximas 48 horas como medida ⁠de precaução.

A OMS declarou o surto da cepa Bundibugyo do vírus -- para o qual não há vacina -- uma emergência de saúde pública de interesse internacional no fim de semana.

A Aliança do Rio Congo -- que inclui os rebeldes M23, controladores de áreas do leste da RDC desde o ano passado -- disse que o paciente de 28 anos de idade em Kivu do ‌Sul morreu e foi enterrado em segurança. O indivíduo havia saído da cidade de Kisangani, no ‌norte do país, disse a ⁠aliança, sem detalhar os ⁠movimentos recentes da vítima.

O porta-voz de saúde de Kivu do Sul, Claude Bahizire, disse à Reuters nesta ⁠quinta-feira que dois casos suspeitos foram detectados na ‌província, incluindo o caso fatal. ‌O outro paciente está em isolamento, aguardando resultados de exames, disse ele.

Um caso de Ebola também foi confirmado na semana passada em Goma, capital da província vizinha de Kivu do Norte, sob controle do M23.

MANIFESTANTES ATACAM HOSPITAL EM ITURI

Na cidade de Rwampara, ⁠um dos focos do surto em Ituri, confrontos eclodiram nesta quinta-feira após a família de uma suposta vítima do Ebola contestar a causa da morte e exigir seu corpo, disseram testemunhas da Reuters.

Os manifestantes se reuniram do lado de fora do hospital e atearam fogo em tendas administradas pela instituição de caridade médica Alima, ‌levando a polícia a disparar tiros de advertência e gás lacrimogêneo, relataram testemunhas.

Centenas de centros de saúde foram atacados por grupos armados e civis furiosos durante o surto de ⁠Ebola de 2018-2020 no leste da RDC, o segundo mais mortal já registrado, com quase 2.300 mortes.

Socorristas esperam que a violência generalizada em todo o leste da RDC, onde dezenas de milícias operam, e a desconfiança da comunidade em relação aos profissionais da área médica compliquem ainda mais os esforços para conter o surto.

Em Genebra, Jane Halton, presidente da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi, na sigla em inglês), disse a jornalistas que os casos confirmados anunciados até o momento provavelmente representam apenas "o topo do iceberg".

A Cepi, que financia o desenvolvimento de vacinas, está avaliando potenciais candidatas para o Ebola. Halton afirmou que talvez seja possível atingir a meta da Cepi de ter uma vacina segura e eficaz para grandes surtos em 100 dias, embora isso represente "um grande desafio".

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