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Austrália destina bilhões a áreas devastadas por incêndios

Fogo já destruiu equivalente ao território de um país como a Dinamarca e provocou a morte de ao menos 25 pessoas

6 jan 2020
13h41
atualizado às 14h59
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A Austrália vai destinar 2 bilhões de dólares australianos (cerca de R$ 5,6 bilhões) em adição às dezenas de milhões já prometidas, para a recuperação de áreas afetadas pelos incêndios, anunciou nesta segunda-feira (6) o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison.

O premiê afirmou que o dinheiro será distribuído nos próximos dois anos e gerido por uma nova agência dedicada à reconstrução de casas e infraestruturas danificadas.

Faxineiro limpa pátio do Parlamento em Camberra: ar da capital australiana é afetado por queimadas
Faxineiro limpa pátio do Parlamento em Camberra: ar da capital australiana é afetado por queimadas
Foto: DW / Deutsche Welle

Os incêndios na Austrália já destruíram, desde setembro, mais de 5,5 milhões de hectares, o equivalente ao território de um país como a Dinamarca, e provocaram a morte de pelo menos 25 pessoas e a destruição de 2 mil casas.

Esta segunda-feira amanheceu mais calma, graças a uma leve chuva no território, mas o fim de semana "foi catastrófico", segundo as autoridades, que contabilizaram mais um morto no sábado e a retirada de milhares de pessoas, além de "danos consideráveis".

Nesta segunda-feira foi encontrado outro corpo, que a polícia acredita ser de um homem de 71 anos visto pela última vez na véspera de Ano Novo removendo equipamentos de sua propriedade na costa sul do estado de Nova Gales do Sul. Outra pessoa no mesmo estado foi reportada como desaparecida.

"Os incêndios ainda estão queimado e vão queimar por meses", disse Morrison durante a entrevista coletiva realizada após uma reunião com a comissão de segurança nacional para analisar a resposta aos incêndios. "Vai ser feito o que for preciso, custe o que custar", garantiu o primeiro-ministro ao anunciar os recursos para a recuperação das áreas afetadas.

Morrison acrescentou que a verba liberada é proveniente do orçamento estatal e independente de outros auxílios já aprovados, sublinhando ainda que se trata de um "acordo inicial" e que os repasses poderão ser ampliados, se necessário, caso os danos aumentem.

"Vamos nos concentrar nos custos humanos e nos custos de reconstrução da vida das pessoas", assegurou. "Para garantir que fazemos o melhor possível, o mais rápido possível", disse.

A medida surge depois da decisão de convocar 3 mil militares da reserva para reforçar o combate aos incêndios e após a disponibilização do equivalente a cerca de 57 milhões de reais para alugar quatro hidroaviões e outros meios aéreos que o primeiro-ministro anunciou no sábado, ao final de um dos piores dias da onda de incêndios.

No entanto, o anúncio de Morrison acontece após semanas de críticas pela sua falta de resposta à catástrofe, que se intensificou no mês passado quando o primeiro-ministro decidiu viajar de férias para o Havaí no meio da crise.

Numa altura em que a chuva dá uma ligeira trégua aos bombeiros, as autoridades aproveitaram para fazer as primeiras contabilizações dos prejuízos, depois de um fim de semana com temperaturas ao redor de 50º C.

O estado da Nova Gales do Sul, o mais populoso da Austrália, continua a ser o mais afetado, com os bombeiros confirmando a destruição de cerca de 60 casas nos últimos dois dias e alertando que o número poderá subir para várias centenas quando todo o território for inspecionado.

Em Victoria, o governo regional contabilizou 200 casas destruídas pelas chamas no fim de semana, a maioria das quais no município de East Gippsland, que abrange a localidade de Mallacoota, onde a fumaça impediu a retirada por via aérea de 300 pessoas cercadas pelas chamas há vários dias.

Mais de 135 focos de incêndios ainda estão ativos em Nova Gales do Sul, incluindo quase 70 que ainda não foram contidos. Autoridades alertaram que a chuva não vai apagar os maiores e mais perigosos deles antes que as condições climáticas voltem a se deteriorar.

A fumaça também afeta outras cidades, como Melbourne e Camberra, que nesta segunda-feira teve a pior qualidade de ar de todas as grandes metrópoles no mundo. A falta de visibilidade e a poluição forçaram a capital a fechar creches. Os incêndios, considerados dos piores do século na Austrália, levaram países como os Estados Unidos, o Canadá, a Nova Zelândia, Singapura e França a enviar bombeiros, helicópteros e militares para ajudar no combate ao fogo.

O primeiro-ministro australiano agradeceu, através de uma mensagem publicada no Twitter, "o apoio e assistência" dados pelos "amigos internacionais" num "momento de necessidade", e citou também o auxílio de países do Pacífico, como Vanuatu e Papua Nova Guiné, que ofereceram dinheiro e pessoas para reforçar o combate às chamas.

O grupo ambientalista Greenpeace afirmou que as verbas de ajuda anunciadas por Morrison são "uma gota no oceano'', dada à ampla devastação dos incêndios. "Cada centavo desse dinheiro deveria ser oferecido pelas empresas de carvão, gás e petróleo cuja poluição de carbono causou a crise climática que criou essas condições extremas de incêndio por todo o país'', afirmou Jamie Hanson, diretor na sucursal australiana da ONG.

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