Ativistas da flotilha humanitária para Gaza são levados a Creta após apreensão de navios
Mais de 150 ativistas pró-palestinos que estavam a bordo de navios humanitários com destino a Gaza foram levados nesta sexta‑feira (1°) à ilha de Creta, na Grécia, após a apreensão de suas embarcações por forças israelenses em águas internacionais, informaram os organizadores da iniciativa. Entre os detidos confirmados na quinta-feira (30) pela organização da Global Sumud Flotilla, estão quatro brasileiros.
Os integrantes presos fazem parte da segunda flotilha Global Sumud, que tenta, há meses, romper o bloqueio imposto por Israel a Gaza levando ajuda humanitária à população palestina. Na quarta-feira, os navios foram interceptados perto do território grego e os ativistas transferidos para embarcações gregas, que os conduziram até terra firme.
Os quatro brasileiros detidos confirmados são: o ambientalista Thiago Ávila, já preso anteriormente por forças israelenses em duas ações semelhantes, Amanda Coelho Marzall, militante pelo PSTU e pré-candidata ao cargo de deputada federal por São Paulo; Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro da Petrobras Transporte, diretor do SindiPetro-RJ e da Federação Nacional de Petroleiros; e Thainara Rogério. Eles integravam a delegação brasileira da missão humanitária.
De acordo com os organizadores, outra brasileira, Beatriz Moreira de Oliveira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), conseguiu seguir viagem no barco Amazona, que teria despistado as forças israelenses e entrado em águas territoriais da Grécia. Também não foram detidas as coordenadoras da Global Sumud Brasil Lisi Proença e Ariadne Teles, que estavam a bordo do navio Saf Saf e desembarcaram na Sicília, na Itália, para apoiar a equipe em terra.
Imagens da agência Reuters mostraram a chegada dos ativistas a Creta, onde ônibus e uma ambulância aguardavam o grupo. Segundo os organizadores, 168 integrantes da flotilha foram transferidos por um navio da Marinha israelense para embarcações gregas.
Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou os organizadores da flotilha, que partiu de Barcelona em 12 de abril, como "provocadores profissionais". Israel afirma que a operação teve como objetivo fazer cumprir o bloqueio naval imposto a Gaza.
Reação Internacional
Governos europeus acompanham o caso com preocupação. Alemanha e Itália divulgaram uma declaração conjunta afirmando seguir a situação com "profunda inquietação". A Espanha informou que 30 cidadãos espanhóis chegaram a Creta, enquanto um deles permanece sob custódia israelense.
Quinze franceses fazem parte das pessoas detidas, informou na quinta-feira o porta‑voz do Quai d'Orsay, Pascal Confavreux, assegurando que a prioridade de Paris era a segurança de seus cidadãos e pedindo a todas as partes para respeitarem o direito internacional e o direito do mar.
Ajuda humanitária insuficiente
Israel, que controla todos os acessos à Faixa de Gaza, nega restringir o abastecimento do território. Já organizações humanitárias e autoridades palestinas afirmam que a ajuda que chega à região continua insuficiente, apesar do cessar-fogo firmado em outubro passado.
Uma fonte que pediu anonimato indicou que, além dos 22 navios interceptados por Israel na quarta-feira, outros 47 ainda navegavam ao largo do sul de Creta, com a previsão de ancorar ali em algum momento antes de seguir viagem rumo a Gaza. Cada embarcação transporta cerca de uma tonelada de alimentos, material médico e outros equipamentos, acrescentou a fonte.
Em outubro passado, o Exército israelense interceptou uma flotilha anterior organizada pela mesma entidade, prendendo então a ativista sueca Greta Thunberg e mais de 450 participantes.
RFI com agências
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