Ataque hacker contra Binance afeta 6,3 bilhões de dólares em criptomoedas
Empresa garantiu que vai cobrir as perdas dos investidores
A Binance sofreu o maior ataque hacker da história das criptomoedas, afetando cerca de US$ 6,3 bilhões em fundos, em uma ação atribuída ao grupo norte-coreano TraderTraitor. A invasão explorou brechas a partir do computador de um funcionário. Em resposta, a corretora suspendeu temporariamente depósitos e saques, bloqueou US$ 3 bilhões dos ativos, acionou autoridades policiais para rastrear os valores restantes e garantiu que cobrirá integralmente todas as perdas registradas pelos investidores.
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo em volume negociado, confirmou nesta sexta-feira (30) ter sofrido um ataque hacker que afetou cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 34 bilhões) em fundos, o que configura o maior roubo de criptoativos já registrado.
"Foi um ataque complexo e estamos fazendo tudo o que podemos, em coordenação com as autoridades, para resolver a situação", escreveu a empresa na rede social X.
Pelo menos US$ 3 bilhões em ativos foram bloqueados pela Binance, que afirmou estar trabalhando com forças policiais, emissores de stablecoins (criptomoedas com lastro em ativos reais), empresas de análise de blockchain e parceiros do setor para rastrear e congelar outros ativos.
Enquanto isso, a corretora suspendeu todas as operações de depósito e retirada, mas declarou que espera retomar os saques em até 45 horas. Além disso, assegurou que todas as perdas dos investidores serão cobertas.
A empresa também declarou que não há indícios de vazamento de chaves privadas das carteiras de criptomoedas e prometeu divulgar uma análise técnica detalhada assim que concluir suas investigações.
A consultoria americana de análise de blockchain TRM Labs afirmou ter "alta confiança" de que o ataque foi orquestrado pelo TraderTraitor, grupo de hackers de elite ligado à Coreia do Norte. "Várias características deste ataque coincidem com roubos anteriores associados à Coreia do Norte", afirmou a TRM.
Acredita-se que o TraderTraitor faça parte do Grupo Lazarus, que ganhou notoriedade em 2014, quando foi acusado de invadir os sistemas da Sony Pictures como retaliação pelo filme "A Entrevista", que satirizava o líder norte-coreano, Kim Jong Un.
O valor afetado é cerca de quatro vezes maior do que o recorde anterior, registrado em fevereiro do ano passado, quanto um ataque cibernético contra a plataforma Bybit atingiu US$ 1,5 bilhão em criptoativos, ação também atribuída ao TraderTraitor.
De acordo com a Binance, a investigação inicial indicava que o ataque envolveu um notebook comprometido, pertencente a um "engenheiro de DevOps", o que permitiu que uma parte não autorizada acessasse um "contêiner de serviço" e realizasse transações de saque. Mais tarde, no entanto, a empresa relatou a descoberta de "pontos de violação adicionais".
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