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Papa alerta contra IA e pede banimento de armas autônomas letais

'Decisões que afetam a vida devem ter supervisão humana', disse

30 out 2026 - 10h02
(atualizado às 10h55)
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Resumo
O papa Leão XIV pediu o banimento de armas autônomas letais, afirmando que decisões sobre a vida humana não devem ser delegadas à inteligência artificial. Em evento no Vaticano, ele defendeu a supervisão humana obrigatória sobre o uso da força e cobrou ações concretas nas negociações de Genebra. O apelo apoia um acordo internacional que já conta com quase 130 países, mas que ainda sofre resistência de potências militares como Estados Unidos, Rússia e Israel.

O papa Leão XIV lançou nesta sexta-feira (30) um apelo pelo banimento de armas autônomas letais e disse que decisões que afetam a vida humana não podem ser delegadas para a inteligência artificial.

Papa se reúne com participantes de congresso sobre IA
Papa se reúne com participantes de congresso sobre IA
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

As declarações foram dadas em um discurso para os participantes de um congresso sobre o futuro da IA organizado pela Pontifícia Academia para a Vida.

"Certas decisões nunca devem ser delegadas. Quando uma pessoa é colocada em uma lista de alvos ou em um banco de dados para controle de fronteiras, existe o perigo de que ela seja reduzida a um mero dado", afirmou o pontífice americano em seu pronunciamento.

"Decisões que afetam a vida humana, a liberdade e o uso da força devem permanecer sempre sujeitas a uma supervisão humana eficaz, informada e responsável. Por essa razão, a inteligência artificial deve ser desarmada, e encorajo os Estados que se reunirão em Genebra, em novembro, a adotar medidas concretas rumo à proibição de armas autônomas letais", acrescentou o Papa, em referência a um encontro na Suíça para discutir a hipótese de um tratado internacional sobre armamentos capazes de agir sem intervenção humana.

Um acordo inicial descrito como "histórico" foi alcançado em Genebra, em setembro, quando quase 130 países concordaram em proibir os chamados "robôs assassinos". No entanto, segundo diversos grupos ativistas, países como Estados Unidos, Rússia, Índia e Israel estão entre os principais opositores das negociações.

"O futuro da inteligência artificial não está predeterminado. Por ser uma tecnologia desenvolvida por seres humanos, seu futuro depende das escolhas que fazemos. Portanto, temos a responsabilidade de orientar, modificar e, quando necessário, rejeitar suas aplicações", disse Leão XIV nesta sexta-feira.

Segundo o Papa, aqueles que encaram o desenvolvimento da IA "apenas como uma corrida a ser vencida" correm o risco de "se concentrar exclusivamente na linha de chegada e se esquecer daqueles que ficam para trás".

"Um sistema confiável e que sirva à pessoa humana tem mais valor do que um sistema excepcionalmente poderoso, cujas consequências, contudo, não podem ser adequadamente previstas ou controladas", salientou.

Ansa - Brasil
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