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ONU acusa Talibã de executar civis e soldados no Afeganistão

Bachelet afirmou que há "relatório confiáveis" sobre crimes do grupo fundamentalista

24 ago 2021 13h02
| atualizado às 13h12
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A alta comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, afirmou nesta terça-feira (24) que possui "relatórios confiáveis" de que o grupo fundamentalista Talibã está cometendo "execuções sumárias" de civis e soldados no Afeganistão.

Soldado do Talibã em posto de controle em Herat, no Afeganistão
Soldado do Talibã em posto de controle em Herat, no Afeganistão
Foto: EPA / Ansa

A chilena não deu detalhes sobre os documentos, mas pediu que o Conselho de Direitos Humanos crie "o quanto antes" um mecanismo para monitorar as ações dos talibãs. Dezenas de denúncias apontam que os extremistas estão "caçando" civis e membros das forças de segurança que colaboraram com os países ocidentais durante os 20 anos de ocupação.

No entanto, em coletiva de imprensa nesta terça, um dos porta-vozes do Talibã, Zabihullah Mujahid, negou as acusações e disse que não tem "uma lista" de pessoas sendo perseguidas e que o grupo só quer levar "paz e segurança" ao território.

Bachelet ainda fez um apelo para que os líderes do grupo respeitem os direitos e liberdades das mulheres e meninas afegãs, dizendo que esse tratamento é o que definirá "uma linha vermelha".

"Uma linha vermelha fundamental para os talibãs será o tratamento das mulheres e das meninas, o respeito aos seus direitos de liberdade, de livre movimentação, educação, expressão e trabalho com base nas normas internacionais relativas aos direitos humanos", acrescentou.

No discurso, os talibãs garantiram que irão manter os direitos conquistados pelas mulheres nos últimos 20 anos e que não vetariam que elas estudassem ou fossem obrigadas a usar burcas.

Mas, a prática, tem sido diferente. Muitas delas não conseguiram retomar seus trabalhos desde o dia 15 de agosto, quando o grupo tomou Cabul, e universidades já estão tendo que segmentar classes de homens e mulheres. Porém, Mujahid disse que a situação é "temporária" e para manter as mulheres "seguras".

Na primeira vez que tinham o governo nas mãos, entre 1996 e 2001, o grupo proibiu que mulheres estudassem, trabalhassem ou saíssem de casa desacompanhadas.
   

Ansa - Brasil   
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