Após críticas de Salvini, Meloni garante apoio à Ucrânia
Premiê italiana disse que auxiliar Kiev é a melhor forma de garantir a paz no país
A premiê italiana, Giorgia Meloni, garantiu que a Itália continuará apoiando a Ucrânia, contrariando o vice-premiê Matteo Salvini, que criticou o envio de armas e recursos e defendeu maior foco na diplomacia. Apesar das divergências públicas na coalizão, Meloni ressaltou a busca por consenso e confirmou a prorrogação do estado de emergência que viabiliza a ajuda a Kiev. Em paralelo, o governo russo declarou que ainda não há data definida para futuras negociações de paz nos Emirados Árabes.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, contrariou o vice-premiê e ministro dos Transportes do país, Matteo Salvini, ao afirmar nesta quarta-feira (28) que Roma continuará apoiando a Ucrânia na guerra contra a Rússia.
"O sentimento predominante entre os integrantes da maioria governista é que todos concordamos com a necessidade de construir a paz na Ucrânia, mas também prevalece a convicção de que a melhor forma de garantir essa paz é continuar apoiando o país", afirmou a chefe de governo em entrevista coletiva após uma reunião do Conselho de Ministros.
Meloni parabenizou Salvini por sua reeleição como secretário da Liga e declarou que ele "tem todo o direito e o dever de transmitir os sentimentos e o estado de espírito de sua base". A primeira-ministra também ressaltou ter "grande respeito pelas opiniões expressas por um partido muito importante dentro da coalizão".
"Essa preocupação específica da Liga já foi levantada diversas vezes no passado. Ainda assim, sempre conseguimos chegar a um consenso, e não prevejo que isso vá mudar. Além disso, entre as medidas aprovadas pelo Conselho de Ministros, esteve a prorrogação do estado de emergência, que possibilita o envio de ajuda à Ucrânia", declarou Meloni.
No início da semana, Salvini voltou a se posicionar contra o envio de recursos financeiros do governo italiano à Ucrânia. O vice-premiê reiterou sua posição à margem de um evento realizado no país.
"Acreditamos que, após quase cinco anos de guerra e mortes, a abordagem europeia ? baseada em sanções contra a Rússia, na transferência de bilhões e no fornecimento de armas ? se mostrou claramente insuficiente. Precisamos investir mais em diplomacia do que em armamentos. Essa é uma convicção que defendemos e que levaremos a todos os fóruns dos quais participamos", afirmou o ministro.
Paralelamente, o assessor presidencial russo Yury Ushakov afirmou à emissora Vesti que ainda não há uma data definida para as negociações sobre o conflito na Ucrânia em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo ele, a data de uma possível reunião trilateral deverá ser anunciada oficialmente em breve.
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