Visita de Lula a Cristina Kirchner em prisão domiciliar terá regras estritas impostas pela Justiça
A Justiça argentina autorizou o pedido da ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar por condenação por corrupção, para receber a visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarca em Buenos Aires nesta quarta-feira (2) para participar da reunião de cúpula do Mercosul. A visita à ex-presidente, no entanto, será marcada por algumas restrições.
A Justiça argentina autorizou o pedido da ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar por condenação por corrupção, para receber a visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarca em Buenos Aires nesta quarta-feira (2) para participar da reunião de cúpula do Mercosul. A visita à ex-presidente, no entanto, será marcada por algumas restrições.
Lula participará da cúpula presidencial do Mercosul em Buenos Aires na quinta-feira, sua primeira visita à Argentina desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo em dezembro de 2023. Mas, às margens do evento, deve se reunir com a ex-presidente.
A visita de Lula ocorrerá na quinta-feira, 3 de julho, na casa de Cristina Kirchner na capital argentina e deverá respeitar as regras de conduta impostas pela Justiça. A principal exigência das autoridades argentinas é que a passagem do presidente brasileiro "não perturbe a tranquilidade da vizinhança". As diretrizes foram impostas após manifestações dos apoiadores da ex-presidente em frente ao seu prédio.
"Fique sabendo que deve haver estrito cumprimento da regra de conduta imposta no ponto III.B da decisão de 17 de junho último, especificamente, o dever de 'abster-se de adotar comportamentos que possam perturbar a tranquilidade do bairro ou alterar a convivência pacífica de seus habitantes'", detalhou o juiz Jorge Gorini, responsável pela execução da pena de Cristina Kirchner.
A ex-presidente foi condenada no âmbito do caso Vialidad, também conhecido como "caso das obras públicas", uma investigação judicial que envolve acusações de corrupção contra Cristina Kirchner e outros funcionários do governo. O caso diz respeito a contratação de empresas para a realização de obras públicas, principalmente na província de Santa Cruz, onde seu marido Néstor Kirchner foi governador antes de se tornar presidente. As acusações incluem a manipulação de licitações, superfaturamento de obras e pagamento de propinas para favorecer determinadas empresas.
A condenação foi marcada por vários protestos de seus defensores, pedindo a liberdade da ex-presidente.
Visitas limitadas
O tribunal que a condenou estabeleceu que a ex-presidente deve solicitar permissão para receber visitas que não sejam de sua família, médicos ou advogados. Por essa razão, os advogados de Kirchner haviam solicitado uma autorização ao tribunal para que o líder brasileiro pudesse visitá-la no apartamento no bairro de Constitución, onde ela cumpre pena de seis anos por fraude desde 18 de junho. Ela também foi impedida permanentemente de exercer cargos públicos.
Após a sentença de Kirchner, o presidente brasileiro revelou que conversou com ela por telefone e expressou publicamente sua solidariedade. "Notei, com satisfação, a maneira serena e determinada com que Cristina encara essa situação adversa e o quanto está determinada a seguir lutando", escreveu Lula no X em junho.
O próprio presidente brasileiro esteve preso em Curitiba entre 2018 e 2019, condenado em um suposto caso de corrupção que foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal. Naquela época, ele recebeu a visita do ex-presidente argentino Alberto Fernández (2019-2023), então candidato à presidência e companheiro de chapa de Cristina Kirchner.
(Com agências)