Oposição venezuelana diz ser perseguida por pedir auditoria
A oposição venezuelana se manifestou neste domingo contra uma suposta perseguição que estaria sofrendo por parte de órgãos do Estado, o que atribui à solicitação do ex-candidato presidencial Henrique Capriles de que sejam auditadas as votações de 14 de abril. "O que nós pedimos é que nos mostrem os cadernos (de votação) na auditoria e por isso (...) querem prender os dirigentes (...). É o que disse Henrique: vamos impugnar as eleições", disse o deputado opositor Ismael García durante uma entrevista coletiva em Caracas.
O parlamentar, que fez as declarações acompanhado de membros da aliança de partidos opositores Mesa da Unidade Democrática (MUD), comentou que o primeiro perseguido foi o general reformado Antonio Rivero, detido ontem por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).
A captura de Rivero foi ordenada pelo Ministério Público, segundo um comunicado divulgado ontem pelo organismo, por estar supostamente envolvido nos fatos violentos do passado dia 15 no marco do protesto pelos resultados eleitorais, que deixaram 9 mortos e mais de 70 feridos. García assegurou que há uma lista "de mais de 23 dirigentes que o governo tem para perseguir nas próximas horas", e anunciou que "nas próximas horas" a oposição consignará todas estas denúncias perante "os organismos jurisdicionais".
Indicou que já na sexta-feira passada foi à Procuradoria para acusar formalmente o presidente da Assembleia Nacional (AN, Parlamento), o governista Diosdado Cabello, pelas agressões ao deputado opositor William Dávila, ferido na semana passada durante uma sessão parlamentar. Ontem, o coordenador nacional do partido opositor Vontade Popular, Leopoldo López, disse que a detenção de Rivero é uma ação do governo para desviar a atenção da solicitação de auditoria das eleições que Capriles fez ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
Capriles ainda não reconheceu a vitória do chavista Nicolás Maduro, que, segundo o último relatório do CNE, venceu por apenas 1,8 ponto percentual. O opositor anunciou na quinta-feira passada que impugnará as eleições após dizer que não aprovará uma auditoria que não inclua a revisão dos cadernos de votação, exigência que foi rejeitada ontem pelo CNE.