Nicolás Maduro faz segunda aparição em tribunal nos EUA e tem pedido de arquivamento de acusações negado
O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro apareceu sorrindo nesta quinta-feira (26) em um tribunal de Nova York, onde permaneceu em silêncio durante sua segunda aparição pública desde sua dramática captura pelos Estados Unidos. Ao longo da audiência, que durou pouco mais de uma hora, o juiz responsável indicou que não atenderia ao pedido da defesa para arquivar as acusações.
Acusado de tráfico de drogas juntamente com a esposa, Cilia Flores, de 69 anos, o ex-líder venezuelano, de 63, demonstrou estar relaxado: sorriu, fez anotações, conversou com seus advogados por meio de um intérprete, observando a imprensa. Ele vestia o uniforme cinza de presidiário.
Retirados antes do amanhecer da prisão no Brooklyn, onde estão detidos desde 3 de janeiro, Maduro e a esposa chegaram ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, onde algumas dezenas de opositores e apoiadores já aguardavam.
"Estamos buscando desesperadamente qualquer forma de justiça por tudo o que passamos", disse à AFP o educador venezuelano Carlos Egana, 30 anos, segurando um manequim representando Maduro com expressão sombria. "E o fato disso estar acontecendo, seja aqui nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar, é algo a se comemorar".
Perto dali, ativistas de pequenas organizações de esquerda exibiam cartazes criticando as políticas de Donald Trump: "Da Venezuela ao Irã, chega de sanções e bombas!". Pela manhã, uma breve confusão ocorreu entre membros dos dois grupos.
Apoiadores em Caracas
Enquanto isso, em Caracas, centenas de apoiadores do ex-presidente se reuniram na Praça Simón Bolívar, no centro da capital, para demonstrar solidariedade.
Presente ao protesto, o filho do ex-líder, o deputado Nicolás Maduro Guerra, declarou confiar "no sistema jurídico dos Estados Unidos", embora afirmasse que seu pai deveria gozar de "imunidade" devido ao seu status.
Apesar de Maduro e Cilia Flores terem se declarado inocentes, seus advogados pediram o arquivamento do processo, alegando que as sanções internacionais impostas pelos EUA impedem o Estado venezuelano de pagar os honorários da defesa. Segundo eles, isso viola um direito garantido pela Sexta Emenda da Constituição americana. A promotoria, por sua vez, sustenta que o casal possui recursos suficientes para custear sua defesa. "Não vou retirar as acusações", afirmou o juiz Alvin Hellerstein, sem definir uma nova data para a próxima audiência.
Maduro não se pronunciou publicamente desde sua audiência inicial, em 5 de janeiro, no mesmo tribunal, quando ele e a esposa foram formalmente indiciados. Na ocasião, adotou um tom desafiador, apresentando-se como "presidente em exercício da República da Venezuela", declarando-se "sequestrado" pelos EUA e afirmando ser um "prisioneiro de guerra."
Bíblia
Também nesta quinta-feira, em reunião na Casa Branca, Donald Trump disse à imprensa que "outros casos serão levados aos tribunais" contra o ex-chefe de Estado da Venezuela, sem fornecer detalhes.
Desde sua chegada aos EUA, Maduro e a esposa estão detidos no Metropolitan Detention Center (MDC), no Brooklyn, uma prisão federal conhecida por condições insalubres e problemas de gestão. Isolado em sua cela, sem acesso à internet ou a jornais, o ex-presidente — chamado de "o presidente" por alguns detentos — passa o tempo lendo a Bíblia, segundo pessoas próximas.
Enfrentando quatro acusações nos EUA, incluindo narcoterrorismo, Maduro é acusado de proteger e promover uma ampla operação de tráfico de drogas, principalmente por meio de alianças com grupos guerrilheiros e cartéis considerados "terroristas" por Washington. Sua esposa enfrenta três acusações.
Desde a captura do casal, o ex-motorista de ônibus que sucedeu Hugo Chávez e governou a Venezuela por 12 anos foi obrigado a ceder o poder à sua vice-presidente Delcy Rodríguez. Desde então, ela tem feito diversas concessões e gestos conciliatórios em direção aos Estados Unidos, enquanto Trump repete que agora é ele quem exerce, de fato, a liderança venezuelana a partir de Washington.
Com AFP