Michigan consagra progressista e expõe divisão democrata sobre principal lobby pró-Israel nos EUA
Abdul El-Sayed venceu nesta quarta-feira (5) a primária democrata para o Senado no Michigan, em disputa apertada contra Haley Stevens que reforça o avanço da ala progressista do partido nos Estados Unidos. O médico de 41 anos pediu união dos democratas para enfrentar os republicanos nas eleições de novembro, decisivas para o segundo mandato de Donald Trump. A campanha foi marcada por divergências sobre a influência do Aipac, principal lobby pró-Israel, e pelo peso da comunidade árabe no estado.
A vitória apertada de Abdul El-Sayed na primária democrata para o Senado no Michigan, nesta quarta-feira (5), consolidou o avanço da ala progressista em disputas internas decisivas do partido. Segundo projeções de veículos norte-americanos, ele superou a deputada Haley Stevens, apoiada pelo núcleo tradicional democrata, em uma disputa mais acirrada do que o previsto. O resultado reforça a sequência de vitórias recentes de candidatos progressistas em estados como Nova York e Colorado.
Em entrevista coletiva pela manhã, El-Sayed pediu que todas as correntes democratas "se reunissem" para enfrentar os republicanos nas eleições de novembro, consideradas cruciais para o segundo mandato do presidente Donald Trump. Ele afirmou que sua campanha busca "retomar a democracia" e colocá-la "a serviço das pessoas que merecem absolutamente tudo o que a América pode oferecer". Stevens reconheceu a derrota e disse que fará campanha ao lado do rival para evitar que os republicanos explorem divisões internas.
O candidato progressista adotou tom duro contra o republicano Mike Rogers, que será seu adversário em novembro e é apoiado por Donald Trump. El-Sayed acusou Rogers de favorecer empresas e de agir com submissão ao presidente. "Se você quer um senador que seja um 'bajulador', vote em Mike Rogers. Mas se quer alguém que vai enfrentar Donald Trump, sua escolha está aqui", disse. A eleição no Michigan é vista como decisiva para os democratas, que tentam recuperar a maioria no Senado e precisam manter esse assento em um estado vencido por Trump em 2024.
Ao comentar o resultado, o presidente ironizou a vitória do progressista, a quem chama de "comunista", e disse que o desfecho é "uma ótima notícia para os republicanos". El-Sayed é apoiado por figuras como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, que veem sua candidatura como teste da capacidade de avançar além dos distritos já dominados por democratas. Seus aliados afirmam que a mobilização da base progressista pode compensar a ausência de grandes doadores tradicionais.
Os dirigentes democratas enfrentam críticas crescentes por parte da militância, que considera insuficiente a resposta do partido ao avanço de Donald Trump. A disputa no Michigan se tornou símbolo dessa tensão interna, especialmente pela força da campanha de El-Sayed contra o papel de grandes financiadores e organizações pró-Israel na política norte-americana.
Disputa marcada por divergências sobre Israel
Haley Stevens, deputada desde 2019 na região de Detroit, centrou sua campanha na reindustrialização e na promessa de unir diferentes setores para enfrentar os republicanos. Ex-assessora do governo Obama em temas ligados à indústria automotiva, ela recebeu apoio de lideranças como Chuck Schumer e da governadora Gretchen Whitmer. A disputa entre os dois candidatos se intensificou principalmente em torno da política dos EUA para Israel.
Stevens defende a continuidade da assistência ao país e rejeita acusações de genocídio em Gaza. El-Sayed, por sua vez, pede o fim da ajuda norte-americana a Israel e critica a influência do Aipac, principal lobby pró-Israel nos Estados Unidos. A organização atua para influenciar políticas de Washington favoráveis ao governo israelense e financia campanhas de democratas e republicanos alinhados a essa agenda. Ele também declarou ser contrário à existência de Israel como um Estado reservado exclusivamente aos judeus.
No Michigan, que abriga uma das maiores comunidades árabes dos EUA, o tema ganhou peso adicional. Segundo a imprensa norte-americana, o Aipac já investiu mais de € 30 milhões na campanha de Stevens. A intensidade da disputa levou o analista Dan Pfeiffer, do podcast Pod Save America, a classificar a primária como "o ápice de uma das corridas democratas para o Senado mais turbulentas e caras da história".
Com AFP
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