Irã ameaça atingir 'novos alvos' em caso de ataque dos EUA, mas mantém negociações
O Irã utilizará novas armas e atingirá alvos inéditos caso os Estados Unidos lancem uma nova ofensiva contra o país, afirmou nesta segunda-feira (21) o porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, citado pela agência de notícias iraniana Fars. Segundo ele, caso o país seja alvo de novos ataques, Teerã utilizará um novo tipo de armamento e poderá ampliar a área dos combates. O Irã, disse, está preparado para enfrentar um conflito prolongado.
O Irã ameaçou atacar alvos dos EUA caso sofra novas ofensivas, em meio à alta do petróleo e ao bloqueio parcial do Estreito de Ormuz. Apesar do clima tenso e da recusa de vistos americanos a membros da delegação iraniana que vai à ONU, a via diplomática continua ativa via Catar. Teerã exige o fim da guerra, a liberação de ativos congelados e a suspensão do bloqueio naval americano como condições para normalizar a circulação marítima e avançar nas negociações.
De acordo com a imprensa estatal de Teerã, o comando central das Forças Armadas iranianas afirmou no domingo (20) ter obtido informações de que os Estados Unidos estariam se preparando para retomar ações ofensivas contra o Irã com o apoio de alguns países do Oriente Médio. Caso esse cenário se concretize, o regime iraniano prometeu represálias contra bases e interesses dos Estados Unidos na região, e os países envolvidos seriam considerados parte do conflito, de acordo com o comando militar iraniano.
Até o momento, não há previsão para o fim da guerra, que provocou forte alta nos preços do petróleo. O aumento do preço da energia em todo o mundo gera inflação e protestos contra o custo de vida.
Em entrevista à Fox News neste domingo, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou estar disposto a se reunir com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O líder de Teerã é esperado em Nova York nesta semana para participar da Assembleia Geral da ONU. Ele deverá deixar o Irã na terça-feira para participar do encontro.
Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira ter autorizado a delegação iraniana, incluindo o presidente do país, a participar da Assembleia Geral da ONU. Mas nesta segunda, os EUA negaram vistos a integrantes da delegação de Masoud Pezeshkian, informaram veículos de imprensa iranianos.
"Em uma medida hostil sem precedentes por parte do governo americano, Trump se recusou a conceder vistos a alguns membros da delegação de alto nível do presidente, incluindo integrantes de sua equipe de comunicação", afirmou a agência estatal Irna.
Apesar das tensões, as negociações entre os dois países não estão descartadas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que deixou o país domingo, anunciou que fará uma escala no Catar, que atua como mediador no conflito entre Teerã e Washington, antes de seguir para Nova York, informou a agência estatal Irna. O objetivo é realizar consultas sobre os últimos ataques na região.
Reabertura de Ormuz
O Irã afirma ter transmitido novamente aos Estados Unidos, por meio da mediação do Catar, suas condições para a reabertura do estratégico estreito de Ormuz. No sábado, o general Mohsen Rezaï, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, reiterou a lista de exigências do Irã, transmitidas desta vez por meio do Catar.
"Nossas condições são o fim da guerra em todas as frentes, o desbloqueio de nossos ativos congelados e o fim do bloqueio naval americano", enumerou em entrevista à emissora catariana Al Jazeera. "É do interesse de Washington aceitar essas condições. As ameaças de Trump não levarão a nada. Estamos prontos para travar uma guerra decisiva."
O tráfego no estreito de Ormuz, por onde passava antes da guerra cerca de um quinto dos hidrocarbonetos comercializados no mundo, foi parcialmente suspenso pelo Irã desde o início do conflito, desencadeado em 28 de fevereiro por ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Em resposta, os Estados Unidos mantêm um bloqueio aos portos iranianos. Um memorando de entendimento firmado em junho entre Irã e Estados Unidos com o objetivo de encerrar o conflito fracassou em julho. Desde então, as negociações permanecem sem avanços concretos. A guerra se expandiu para a frente iemenita, com uma intensificação dos combates nas últimas semanas entre os houthis alinhados ao Irã e a Arábia Saudita, aliada do governo do Iêmen.
Com agências
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