Mercado global reage à tensão entre Trump e o Federal Reserve, o Banco Central dos EUA
A demissão de Lisa Cook do Conselho do Fed (Federal Reserve) feita pelo presidente dos Estados Unidos reverberou no mercado global nesta terça-feira (26). Donald Trump alegou "justa causa", com base em uma suposta fraude hipotecária. Lisa contestou a acusação do líder norte-americano e afirmou que Trump não tem autoridade legal para demitir membros do Federal Reserve, que é o Banco Central dos EUA.
A demissão de Lisa Cook do Conselho do Fed (Federal Reserve) feita pelo presidente dos Estados Unidos reverberou no mercado global nesta terça-feira (26). Donald Trump alegou "justa causa", com base em uma suposta fraude hipotecária. Lisa contestou a acusação do líder norte-americano e afirmou que Trump não tem autoridade legal para demitir membros do Federal Reserve, que é o Banco Central dos EUA.
Trump demitiu a funcionária do Fed por carta e por mensagem escrita em sua rede Truth Social. Segundo o líder norte-americano, a demissão tem efeito imediato.
A economista Lisa Cook, primeira mulher afro-americana a ocupar o cargo, se recusa a ceder à pressão. "Não vou renunciar. Continuarei servindo à economia norte-americana, como tenho feito desde 2022", garantiu.
Esta é a primeira vez na história do Fed que um presidente dos Estados Unidos demite um governador.
Para a senadora democrata Elizabeth Warren, trata-se de uma "tomada de poder autoritária, que viola flagrantemente a lei do Federal Reserve".
De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, o presidente da República não tem poder para destituir um governador do Fed. A estrutura legal do Federal Reserve também impede que o presidente dos Estados Unidos possa fazer demissões no Fed.
A decisão de Trump sem qualquer processo legal gerou preocupações que tangem a independência do Fed, um dos pilares da estabilidade econômica do país.
Independência do Fed em risco
A tensão causada por Donald Trump no Fed envolve uma questão que, na verdade, é bem mais grandiosa: a independência da instituição.
Desde que retornou à Casa Branca, no início de 2025, Donald Trump ataca o presidente do Fed, Jerome Powell, alegando que a decisão do Banco Central de não reduzir a taxa básica de juros foi um obstáculo ao crescimento.
"Se o presidente dos Estados Unidos conseguir destituir o governador do cargo do Fed, ele terá a oportunidade de indicar e nomear outro para o conselho de sete membros", explicou o economista do banco japonês do MUFG, Lee Hardman.
Isso permitiria a Trump exercer "maior influência sobre a definição da política monetária norte-americana".
Na sexta-feira (22), Jerome Powell reiterou que as decisões econômicas do presidente americano, particularmente sobre tarifas, complicam a missão principal da instituição, que é combater a inflação.
Mas, na segunda-feira (25), ele mudou de tom e expressou abertura para o afrouxamento monetário.
"Este discurso pode ser uma tentativa de aliviar a pressão política até certo ponto, reduzindo moderadamente as taxas de juros", disse o analista do Commerzbank, Antje Praefcke.
Mercado inquieto
As bolsas de valores globais reagiram com queda aos ataques de Trump à independência do Federal Reserve. O dólar despencou em relação às principais moedas do mundo. O mesmo aconteceu com os preços do barril de petróleo.
Neste cenário de instabilidade do mercado, o ouro entrou na contramão e subiu, desempenhando papel de refúgio em um mercado preocupado com as consequências desta demissão anunciada por Donald Trump.
Estrutura do Fed
O Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed) é composto por sete membros nomeados pelo presidente dos Estados Unidos, que precisam ter seus nomes confirmados pelo Senado.
Cada um desses governadores tem um mandato de 14 anos, não renovável e cumprido integralmente.
O presidente e o vice do Conselho são escolhidos entre os sete membros e desempenham suas funções por quatro anos. Após o término do mandato, retornam às suas funções de governadores do Fed.
(Com AFP)