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Mãe de preso político morto sob custódia cobra explicações do governo venezuelano

Carmen Teresa Navas exige esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte de seu filho, o preso político Víctor Hugo Quero Navas, confirmada pelo governo venezuelano na semana passada, 51 meses após o óbito. Ele estava sob custódia do Estado, e o caso provocou uma nova onda de críticas ao sistema prisional do país.

11 mai 2026 - 08h42
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Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Venezuela

Carmen Navas, 82, junto ao túmulo do filho, Víctor Quero, detido e dado como morto pelas autoridades venezuelanas após mais de um ano de buscas, em cemitério de Caracas, em 7 de maio de 2026.
Carmen Navas, 82, junto ao túmulo do filho, Víctor Quero, detido e dado como morto pelas autoridades venezuelanas após mais de um ano de buscas, em cemitério de Caracas, em 7 de maio de 2026.
Foto: REUTERS - Rafael Hernandez / RFI

Neste fim de semana, Carmen Teresa Navas falou pela primeira vez à imprensa após reconhecer o corpo do filho. Visivelmente abalada, ela afirmou que ainda não consegue lidar com a dimensão da perda, em entrevista à jornalista venezuelana Maryorin Méndez, que acompanha o caso há meses.

Carmen descreveu o processo como "extremamente doloroso" e voltou a cobrar explicações das autoridades venezuelanas. Ela também afirmou que nunca recebeu autorização para visitar o filho enquanto ele esteve preso. Segundo ela, as autoridades impediram qualquer contato direto e jamais confirmaram oficialmente seu paradeiro ou o estado de saúde durante o período em que esteve sob custódia do Estado venezuelano.

A mãe de Víctor Hugo Quero Navas voltou a exigir esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e cobra explicações sobre quando e como o filho morreu, já que não acredita na versão oficial.

Víctor Hugo Quero Navas foi preso em janeiro de 2025. Desde então, a mãe iniciou uma busca que durou 16 meses por informações, passando por presídios, hospitais, tribunais e órgãos públicos, sem receber respostas claras sobre o paradeiro ou o estado de saúde do filho.

Quero Navas era acusado de terrorismo, financiamento ao terrorismo, conspiração e traição à pátria. Um dia antes da confirmação da morte, a Justiça venezuelana rejeitou um pedido de anistia apresentado pela defesa.

O tribunal alegou que os crimes atribuídos a Víctor Hugo Quero não permitiam acesso aos benefícios previstos na nova legislação aprovada sob o governo interino de Delcy Rodríguez. No dia seguinte à decisão, o Ministério de Serviços Penitenciários informou oficialmente que ele havia morrido meses antes.

Versão do governo

Segundo a versão divulgada pelo governo, Quero Navas estava preso em um complexo penitenciário próximo a Caracas. O Ministério de Serviços Penitenciários afirmou que ele foi levado a um hospital militar após apresentar quadro de hemorragia digestiva e febre alta. Ainda de acordo com o comunicado, ele morreu em julho do ano passado em consequência de insuficiência respiratória associada a uma embolia pulmonar.

O governo venezuelano também declarou que o preso não teria informado dados de familiares durante o período de detenção e afirmou que, por isso, o corpo foi enterrado pelo Estado. No dia seguinte à confirmação da morte, autoridades venezuelanas realizaram a exumação do corpo de Víctor Hugo Quero Navas em um cemitério de Caracas.

O procedimento contou com a presença de agentes do Corpo de Investigações Penais, Científicas e Criminalísticas e da mãe dele, Carmen Teresa Navas. Após a exumação, ela reconheceu o corpo do filho e providenciou um novo sepultamento em outro cemitério.

Investigação

Depois da confirmação da morte, o Ministério Público venezuelano anunciou a abertura de uma investigação criminal sobre o caso. O órgão determinou a exumação do corpo para a realização de novos exames periciais e testes de DNA.

A Defensoria Pública da Venezuela pediu uma investigação independente, transparente e aprofundada para identificar responsabilidades e garantir justiça. O órgão afirmou que o caso expõe abusos, impunidade e falhas institucionais ainda existentes na Venezuela.

Diversas organizações não governamentais intensificaram a pressão sobre o governo de Delcy Rodríguez. O Observatório Venezuelano de Prisões pediu a saída imediata do ministro responsável pelo sistema penitenciário, Julio García Zerpa, e cobrou investigações contra funcionários envolvidos no desaparecimento forçado, na ocultação de informações e na morte de Víctor Hugo Quero Navas.

Representantes da ONG Provea também defenderam que integrantes do alto escalão do sistema judicial e penitenciário sejam investigados. Outras entidades e partidos políticos passaram a cobrar a revisão das condições carcerárias e maior transparência sobre pessoas detidas pelo governo venezuelano. Segundo dados da organização Foro Penal, a Venezuela tem atualmente 457 presos políticos.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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