Filho de Pablo Escobar: "meu pai mostrou rota da destruição"
Sebastián Marroquín implorou ao pai para que abandonasse a violência
Nos anos 80, Pablo Escobar foi apontado como o sétimo homem mais rico do mundo pela revista Forbes, acumulando uma fortuna de mais de US$ 25 bilhões (R$ 95 bi). O montante era gasto em regalias para a casa e seus filhos, que desfrutavam de zoológico particular com animais exóticos e raros, pista de corrida, piscinas e tudo o que fosse necessário. Poderia parecer um sonho, mas segundo Sebastián Marroquín, filho do narcotraficante, a realidade era um lugar de medo.
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De acordo com o Daily Mail, a família temia constantemente pela segurança do pai que travava uma guerra sangrenta com seus rivais do tráfico e a Colômbia. Na biografia de Pablo Escobar, Pablo Escobar : Meu Pai, escrita por Marroquín, o filho expõe casos de sua infância ao lado de um dos homens mais ricos do mundo, como, por exemplo quando o narcotraficante queimou mais de US$ 2 milhões em notas para aquecer sua filha durante a noite com medo de que ela pegasse uma hipotermia.
Marroquín tinha 9 anos quando o pai ensinou sua primeira lição sobre drogas. Em entrevista, ele afirmou que Escobar o instruiu a jamais usar qualquer tipo de drogas. "Meu pai não era uma pessoa para ser imitada. Ele nos mostrou o caminho que não devemos seguir como uma sociedade porque é o caminho da destruição, perda de valores e um lugar onde a vida não tem importância", afirmou Sebastián em entrevista.
"Eu tive o estranho privilégio de ser filho de Pablo Escobar. Para mim ele foi um ótimo pai. Eu tenho várias cartas dele me dando conselhos e me encorajando a estudar, ser uma boa pessoa e ficar longe das drogas".
Em entrevista a AFP, Sebastián afirmou que seu pai costumava "ameaçar os empregados para que não fumassem na minha frente".
Apesar de ser inimigo de muitos, Marroquín lembra que Pablo Escobar era uma espécie de heroi na cidade de Medellin, onde distribuia dinheiro aos pobres e construiu campos de futebol em bairros pobres.
Em 1989, Pablo Escobar era responsável pela venda de 80% da cocaína do mundo. Mas essa realidade acabaria em dezembro de 1993, quando o narcotraficante foi morto em uma operação da polícia. De acordo com Marroquín, seu pai não foi morto pela polícia, ele se matou com um tiro na cabeça.
Após a morte de Escobar, toda sua herança 'desapareceu'. "Sou grato que isso aconteceu", afirmou Marroquín em entrevista. "Nós começamos do zero".
Marroquín poderia ter seguido o caminho trilhado por seu pai já que, conforme já afirmou, teve diversas oportunidades para isso. "Eu poderia ter me tornado um Pablo Escobar versão 2.0, mas me tornei um arquiteto, professor e agora escritor".
"Tive várias oportunidades de entrar nesse negócio ilícito, mas sempre disse 'não' porque aprendi minha lição sobre tráfico de drogas... um negócio muito lucrativo que acaba em destruição".