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EUA: republicanos podem fortalecer posição nas eleições após decisão da Suprema Corte sobre gastos de campanha

A quatro meses das eleições legislativas de meio de mandato, a Suprema Corte dos Estados Unidos deu mais um passo rumo à desregulamentação do financiamento político. Em uma decisão de 6 votos a 3, os magistrados derrubaram, na terça-feira (30), os limites federais para gastos coordenados entre partidos políticos e seus candidatos. A mudança pode ampliar ainda mais a capacidade de mobilização financeira dos republicanos, que já chegam à disputa com uma vantagem expressiva de recursos.

1 jul 2026 - 09h51
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A decisão elimina restrições que, até então, limitavam quanto os partidos podiam gastar em conjunto com campanhas eleitorais. Na prática, permite uma coordenação mais ampla entre as estruturas partidárias e seus candidatos, liberando recursos adicionais para publicidade, mobilização de eleitores e estratégias eleitorais.

Vista da Suprema Corte dos Estados Unidos, em Washington DC, em junho de 2026.
Vista da Suprema Corte dos Estados Unidos, em Washington DC, em junho de 2026.
Foto: © SAUL LOEB / AFP / RFI

Os seis juízes conservadores da Corte votaram a favor da medida. Os três magistrados do bloco liberal se posicionaram contra.

Autor da decisão, o juiz Brett Kavanaugh afirmou que "o texto constitucional, a história e os precedentes estabelecem que impor limites para gastos coordenados por partidos políticos viola a Primeira Emenda", que protege a liberdade de expressão nos Estados Unidos.

A ação foi apresentada em 2022 por políticos republicanos, entre eles J.D. Vance, atual vice-presidente, então candidato a senador por Ohio.

O presidente Donald Trump comemorou o resultado. Em publicação na rede Truth Social, classificou o julgamento como uma "grande vitória para os republicanos" e para a Primeira Emenda.

Nova etapa na flexibilização das regras

A decisão da Suprema Corte reforça uma tendência observada desde 2010, quando o tribunal passou a ampliar sucessivamente a proteção constitucional ao financiamento político. Em uma série de julgamentos, a Corte derrubou restrições a gastos eleitorais independentes de empresas, sindicatos e grandes doadores, transformando profundamente o sistema de financiamento de campanhas nos Estados Unidos.

Desde a histórica decisão Citizens United, em 2010, a Suprema Corte vem ampliando a interpretação de que gastos políticos constituem uma forma de liberdade de expressão protegida pela Constituição. A partir desse entendimento, foram derrubadas limitações sobre gastos independentes de empresas e sindicatos, além de restrições a determinadas formas de contribuição política. 

O caso julgado agora atinge outro pilar da Lei Federal de Campanha Eleitoral, aprovada em 1971 após sucessivos escândalos políticos e criada justamente para reduzir riscos de corrupção e influência excessiva nas eleições.

Pelas regras anteriores, partidos podiam gastar livremente em favor ou contra candidatos, desde que atuassem de forma independente. No entanto, quando havia coordenação direta com a campanha, passavam a valer limites financeiros definidos de acordo com o cargo e a população do estado.

Esses tetos chegavam a cerca de US$ 3,9 milhões para disputas ao Senado nos estados mais populosos e variavam entre aproximadamente US$ 63 mil e US$ 127 mil para candidatos à Câmara dos Representantes.

Entenda porque os republicanos podem sair na frente

Na prática, a decisão pode beneficiar os republicanos, que chegam às eleições de novembro com uma vantagem financeira expressiva. Os três principais comitês do partido somavam US$ 256 milhões em recursos disponíveis no fim de maio, mais que o dobro dos cerca de US$ 126 milhões dos democratas, que ainda acumulavam mais de US$ 18 milhões em dívidas.

Com a eliminação dos limites para gastos coordenados, essa capacidade financeira maior passa a ser ainda mais relevante. Os partidos poderão direcionar recursos para campanhas consideradas estratégicas, fortalecer candidaturas em disputas acirradas e responder mais rapidamente aos adversários durante a reta final da campanha.

A mudança também pode beneficiar especialmente os republicanos em estados competitivos para o Senado e a Câmara, onde campanhas costumam depender fortemente de investimento em propaganda e mobilização de eleitores.

Debate sobre influência do dinheiro

Os defensores da decisão argumentam que limitar gastos partidários coordenados equivale a restringir a atividade política legítima e a liberdade de expressão.

Já os críticos alertam que a medida tende a aumentar ainda mais o peso do dinheiro nas eleições americanas e a enfraquecer mecanismos criados para reduzir a influência de grandes doadores e grupos de interesse.

O julgamento ocorre em um momento particularmente sensível da política dos EUA. Em novembro, os republicanos tentarão preservar a maioria no Congresso, enquanto os democratas buscam recuperar terreno em uma disputa que já se anuncia como uma das mais caras da história recente do país.

Convenção Republicana inédita

Horas após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou uma convenção republicana extraordinária para as eleições de meio de mandato. O evento será realizado em Dallas, Texas, nos dias 9 e 10 de setembro, cerca de dois meses antes da votação. 

Convenções nacionais costumam ocorrer apenas em anos de eleição presidencial. Trump apresentou a iniciativa como uma oportunidade para destacar os resultados de seu governo e mobilizar o eleitorado conservador antes da disputa pelo controle do Congresso.

Com agências

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