Com vitória surpreendente nas urnas, Milei sai fortalecido para segunda metade do seu mandato
O projeto político e econômico de Javier Milei segue vivo na Argentina. Nas eleições legislativas realizadas neste domingo (26), Milei não apenas garantiu o mínimo de um terço dos assentos no Congresso, como também ficou próximo de obter aliados para formar uma maioria. Começa agora uma fase de articulação e alianças com governadores que exercem influência sobre parlamentares. O resultado das urnas deve facilitar o socorro financeiro à Argentina prometido por Donald Trump, que tinha condicionado a ajuda ao resultado eleitoral.
O projeto político e econômico de Javier Milei segue vivo na Argentina. Nas eleições legislativas realizadas neste domingo (26), Milei não apenas garantiu o mínimo de um terço dos assentos no Congresso, como também ficou próximo de obter aliados para formar uma maioria. Começa agora uma fase de articulação e alianças com governadores que exercem influência sobre parlamentares. O resultado das urnas deve facilitar o socorro financeiro à Argentina prometido por Donald Trump, que tinha condicionado a ajuda ao resultado eleitoral.
Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires
O partido A Liberdade Avança, de Javier Milei, conseguiu uma vitória contundente, ficando com 40,68% dos votos válidos em todo o país, nove pontos acima do Peronismo, com 31,7%
Os candidatos de Milei ganharam em 16 das 24 províncias do país, incluindo as maiores como Buenos Aires, Córdoba, Santa Fe e Mendoza.
A mais surpreendente vitória foi na província de Buenos Aires, onde, em 7 de setembro, Milei tinha sido derrotado pela oposição peronista, numa eleição provincial, por 13,6 pontos de diferença. Agora, um mês e meio depois, nas eleições nacionais deste domingo, virou o jogo e ficou meio ponto acima
O sinal de alerta veio dos 32% de eleitores que não foram votar, o maior número de abstenção desde o retorno da Democracia em 1983. Para esses eleitores, nem Milei, nem o Peronismo convencem.
As Legislativas renovavam metade da Câmara de Deputados (127) e um terço do Senado (24).
Milei precisava de, pelo menos, um terço dos legisladores para manter vetos a leis da oposição que afetem o equilíbrio fiscal, base do seu plano econômico. Também precisava de um terço para evitar processos de destituição, a partir de denúncias de corrupção.
Obteve bem mais do que isso, abandonando a sua "hiper minoria" parlamentar. Na Câmara de Deputados, Milei passa de ter 37 a 80 legisladores. Com os aliados, fica com 107. Vai precisar de 22 deputados para obter quórum e aprovar reformas.
No Senado, Milei passa de seis a 19 senadores. Com os aliados, fica com 24. Vai precisar de 13 senadores para conseguir quórum e aprovar reformas.
Somente duas pesquisas de intenção de voto previram essa vitória contundente. O analista político, Cristian Buttié, da CB consultores, foi o mais preciso: calculou em 40,8% de votos válidos. E a consultora brasileira AtlasIntel previu uma vitória por 41,1% dos votos, bem próxima da realidade.
À caça de votos
Milei pretende obter os votos que lhe faltam para formar maiorias a partir de negociações com governadores que têm influência sobre parlamentares.
O governo precisa das reformas tributária, trabalhista e previdenciária para promover a chegada de investimentos que substituam os empréstimos financeiros do FMI e do Tesouro norte-americano. Em outras palavras, a economia argentina precisa respirar por conta própria e não mais com a ajuda de aparelhos.
A partir desta segunda-feira (27), começa a reformulação do gabinete de ministros e a articulação de alianças políticas para garantir a governabilidade. Essa construção de maiorias parlamentares também é uma exigência explícita dos Estados Unidos para socorrer o governo Milei.
Esse é o principal desafio daqui para frente. Por isso, no seu discurso de vitória, o presidente convocou legisladores e governadores de outros partidos a apoiarem as reformas.
"Hoje é um dia histórico. Hoje passamos o ponto de inflexão. Hoje começa a construção da Argentina grande. Teremos o Congresso mais reformista da história", disse um eufórico Milei.
Intervenção eleitoral de Trump
A ajuda do Tesouro norte-americano, ordenada pelo aliado Donald Trump, foi fundamental para que o plano econômico de Milei não voasse pelos ares, provocando uma instabilidade na economia, principalmente uma desvalorização do peso argentino perante o dólar. Nunca se viu uma intervenção tão direta dos Estados Unidos num processo eleitoral argentino.
Mesmo com o anúncio de Trump, a pressão cambial continuou e o Tesouro norte-americano precisou intervir com US$ 2 bilhões diretamente no mercado de câmbio para conter a desvalorização do peso.
Os mercados desconfiavam que Milei pudesse ter uma derrota eleitoral ou ficar bem longe de obter maioria parlamentar para aprovar reformas. O próprio Trump tinha condicionado o socorro financeiro a um bom resultado eleitoral.
Agora, com esta vitória, a ajuda de Trump fica garantida e a aliança entre Washington e Buenos Aires sai fortalecida.
Através das redes sociais, Donald Trump e Javier Milei trocaram elogios.
"Parabéns ao presidente Javier Milei pela sua arrasadora vitória na Argentina. Está fazendo um trabalho excelente! O povo argentino justificou a nossa confiança nele", escreveu Trump.
"Obrigado presidente Donald Trump por confiar no povo argentino. O senhor é um grande amigo da República Argentina. As nossas nações nunca deviam ter deixado de ser aliadas", devolveu Milei.