Colômbia reconhece primeira vítima do traficante Pablo Escobar
A Colômbia reconheceu o filho de um tenor como a primeira vítima do conflito armado derivado da violência dos cartéis do narcotráfico, que entre as décadas de 1980 e 1990 travaram uma guerra contra as instituições do país, informaram nesta quarta-feira fontes oficiais.
O órgão estatal Unidade Administrativa Especial para a Atenção e Reparação Integral às Vítimas reconheceu Federico Arellano como vítima do conflito armado pela morte de seu pai, o compositor e tenor Gerardo María Arellano Becerra, em um atentado terrorista dos traficantes contra um avião comercial.
Arellano Becerra foi uma das 107 vítimas da bomba que explodiu no dia 27 de novembro de 1989 em um Boeing 727 da companhia Avianca que havia decolado do aeroporto El Dorado de Bogotá com destino a Cali, no sudoeste do país.
A bomba foi colocada por ordem de Pablo Escobar Gaviria, chefe do cartel de Medellín na época, com a intenção de assassinar o então candidato presidencial César Gaviria, pois o grupo criminoso acreditava que ele estava no avião.
A Unidade Administrativa Especial para a Atenção e Reparação Integral às Vítimas afirmou hoje que "o atentado contra o avião de Avianca, ocorrido em 27 de novembro de 1989, foi um ato terrorista com alvos políticos relacionados com o conflito armado interno", os Arellano "foram reconhecidos como vítimas".
No entanto, a diretora dessa entidade, Paula Gaviria, disse que essa decisão é pontual e que "não é correto concluir que todas as vítimas de Pablo Escobar ou do grupo armado vão receber indenizações".
Paula acrescentou que para que alguém seja incluído na lista de vítimas "deve cumprir com um processo que inclui um depoimento ao Ministério Público e a avaliação por parte da entidade, que tem uma duração máxima de 60 dias e na qual se analisam se os fatos ocorreram no contexto do conflito".
Para incluir Arellano na Lei de Vítimas, a entidade levou em conta a caracterização feita pela Procuradoria Geral da Nação sobre os magnicídios ocorridos na Colômbia durante os anos 1980, que reconhece os alvos políticos das ações criminosas do cartel de Medellín.
Federico Arellano tem direito a reivindicar uma indenização por via administrativa como determina a lei de vítimas e restituição de terras.
No entanto, Paula assinalou que "medidas como a indenização administrativa das vítimas não são imediatas, pois se aplica com critérios de gradualismo, para priorizar a população mais pobre, mulheres chefes de família, grupos étnicos, idosos, entre outros".
Federico Arellano, advogado especialista em direitos humanos e presidente da Fundação Colômbia com Memória conseguiu, depois de uma longa batalha jurídica, ser reconhecido como a primeira vítima de Pablo Escobar.
A Fundação Colômbia com Memória estima em mais de 50 mil as vítimas de Escobar e sua organização criminosa, entre as décadas de 1980 e 1990.