Chávez anuncia chegada de mísseis russos à Venezuela
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nessa segunda-feira que começaram a chegar ao país milhares dos mísseis comprados da Rússia, como parte do plano de modernização do armamento da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).
"Começaram a chegar milhares dos mísseis. Poucos países têm o número que nós temos de Igla-S", declarou Chávez durante um ato oficial na sede do governo. Os sistemas antiaéreos portáteis Igla-S são usados para abater aviões táticos, helicópteros, aviões espiões não tripulados e mísseis de cruzeiro de dia e de noite, segundo dados do fabricante russo Rosoboronexport.
"E por aí vêm os tanques, os T-72 para fortalecer nossas colunas blindadas, e os helicópteros", acrescentou o chefe de Estado. O governo do presidente russo, Dmitri Medvedev, aprovou neste ano um financiamento de US$ 2,2 bilhões à Venezuela para despesas em armamento, o que tornou viável a compra do sistema Igla-S e de 92 tanques T-72, informou Chávez em setembro.
Nos últimos anos, a Venezuela passou a ser o maior cliente da indústria militar da Rússia na América Latina, com a aquisição de 100 mil fuzis AK-103, 24 caças-bombardeiros Sukhoi-30 e 50 helicópteros MI-17, M-26 e M-35, tudo isso por cerca de US$ 3 bilhões, segundo fontes russas.
O presidente venezuelano insistiu nesta segunda-feira que precisou recorrer à Rússia porque os Estados Unidos "se negaram" a fornecer o armamento tradicionalmente comprado pela Venezuela. Em maio de 2006, os EUA suspenderam a venda de armas e material militar à Venezuela por considerar que o país não coopera suficientemente na luta antiterrorista, o que Caracas rejeitou e condenou.
Segundo Chávez, a melhor maneira de "evitar uma guerra" é "preparar-se para ela". É esse o motivo da modernização das Forças Armadas do país, que considera uma ameaça o convênio militar assinado entre Bogotá e Washington. Esse acordo permitirá que militares americanos usem pelo menos sete bases colombianas na luta contra o terrorismo e o tráfico de drogas, segundo Bogotá e Washington. "Ninguém (está) mais longe do desejo de uma guerra que este soldado que está aqui, e menos ainda com a Colômbia", afirmou Chávez.