Capriles enfrenta batalha "épica"; Maduro pede ajuda no combate à violência
Faltando três semanas para as eleições presidenciais na Venezuela, os dois principais candidatos à Presidência continuam em busca de votos e, enquanto o aspirante da oposição Henrique Capriles garantiu que enfrenta uma batalha épica, o governista Nicolás Maduro pediu ajuda contra a violência.
Os dois candidatos realizaram atos de campanha no estado Aragua, mas seus simpatizantes não chegaram a se encontrar. O presidente interino, Nicolás Maduro, esteve em um evento fechado com seu gabinete do Executivo, artistas, esportistas e médicos durante o comício de Capriles.
Maduro discursou ao lado de artistas e esportistas e pediu que estes se comprometessem com um plano para enfrentar a violência que assola o país e disse que o cinema e a televisão têm grande capacidade para influenciar o comportamento das pessoas.
Os artistas que discursaram no ato não só se comprometeram com o plano, mas também com o candidato presidencial, afirmando que Maduro é o escolhido para as próximas eleições de 14 de abril.
Maduro esclareceu que esse evento não era um ato de campanha eleitoral, mas mesmo assim criticou a oposição, reiterou que ganharia as eleições e garantiu que seu adversário estava obcecado por ele.
Capriles protagonizou um evento de massas e fez um discurso de meia hora sob uma chuva torrencial. O candidato afirmou que está em "uma batalha heroica, épica, espiritual" contra o abuso de poder de seu rival. Capriles acusou Maduro de usar os recursos do Estado para fazer campanha.
"O que seria desse candidato se não abusasse do poder? Se não utilizasse os recursos dos venezuelanos? Se não usasse os funcionários públicos? Se não utilizasse a imagem do presidente falecido?", disse o advogado de 40 anos.
Capriles disse que quer ser "o presidente do futuro, da união, do encontro, da paz, da tranquilidade" e acrescentou que quando escuta o discurso "dos que estão aí governando", pensa que os venezuelanos querem um presidente que não divida o país e que acolha inclusive àqueles que pensam diferente.
Mais cedo, o diretor nacional do comando de campanha da aliança de oposição, Carlos Ocariz, denunciou que a campanha eleitoral é desequilibrada e evidência o abuso de poder por parte do governo.
Ocariz afirmou que o canal do Estado, "Venezolana de Televisión" ("VTV"), transmitiu durante 21 horas as mensagens do candidato governista desde que os candidatos inscreveram suas candidaturas no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) há 12 dias, e não divulgaram nenhuma fala de Capriles.
Além disso, comentou que Maduro teve 242 minutos de discursos transmitidos em rede nacional de rádio e televisão nestes 12 dias.