"Avaliação de Petro é mais positiva do que se imaginava", diz cientista político sobre eleições na Colômbia
A esquerda colombiana ligada ao presidente Gustavo Petro saiu fortalecida das eleições legislativas realizadas neste domingo (8). O Pacto Histórico ampliou sua presença no Congresso, tornando-se novamente a principal força política da Colômbia, enquanto o partido opositor Centro Democrático terminou em segundo lugar — mas viu seu fundador, o ex-presidente Álvaro Uribe, perder a cadeira pela primeira vez desde sua entrada na política nacional.
Apesar do avanço governista, o novo Parlamento permanece profundamente fragmentado e dependerá de alianças para aprovar qualquer reforma. "O que vimos foi que a avaliação do governo é mais positiva do que se imaginava. O Pacto Histórico não apenas resistiu após quatro anos de Petro, como aumentou seu número de cadeiras", afirma o cientista político Gaspard Estrada, membro da Unidade Sul Global da London School of Economics, de Londres.
As projeções feitas após a votação e com mais de 95% das urnas apuradas indicam que, para o Senado, o Pacto Histórico alcançou 25 cadeiras, ou seja, cinco a mais do que no Congresso atual. O Centro Democrático surge como a segunda maior força política com 17 cadeiras, seguido do Partido Liberal, com 13, uma a menos do que na legislatura anterior.
"A governabilidade vai continuar sendo complicada. Não é a primeira vez que a eleição legislativa na Colômbia tem um resultado de fragmentação partidária. Já é o caso hoje. O Congresso seguirá dividido. Tanto a esquerda quanto a direita, se vencerem a presidencial, terão de construir alianças para governar. A fragmentação não é novidade, mas deve se intensificar com a polarização", avalia Estrada.
O cientista político constata que o resultado das urnas refletiu de maneira até surpreendente a satisfação da população colombiana com o governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país.
"Eu acho que a grande novidade política desta eleição é essa resiliência do Gustavo Petro e dos seus candidatos, quatro anos após sua chegada ao poder. Os resultados foram uma boa notícia para o Pacto Histórico, que demonstrou a força territorial dos candidatos governistas e um pouco da capacidade do Petro de transferir o seu prestígio pessoal aos aliados", acrescentou.
Primárias de partidos e coligações
Nas eleições de domingo, além da renovação do Congresso para o período de 2026 a 2030, foram realizadas as primárias dos partidos e coligações que definiram Iván Cepeda, aliado de Petro, e a senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático, como os principais nomes para a eleição presidencial de 31 de maio.
Aliado de Petro, Iván Cepeda tem cerca de 30% das intenções de votos segundo as sondagens, mas terá pela frente uma adversária difícil, segundo Estrada. Com mais de 3 milhões de votos entre os candidatos de direita e de centro, a senadora Paloma Valencia sai reforçada da votação para a disputa da presidência da Colômbia.
Apesar de assumidamente conservadora, Valencia não tem um discurso tão radical quanto o candidato da extrema direita Abelardo de la Espriella , conhecido como o "Milei colombiano."
"Paloma Valencia emerge hoje como uma candidata muito mais competitiva na direita, com maior respaldo das elites tradicionais do que o nome outsider que vinha sendo testado", explica Gaspard Estrada.
Outro marco nas eleições deste domingo foi a derrota do ex-presidente Álvaro Uribe, que não conseguiu se eleger para o Senado. "É natural que, após 20 anos, haja uma fadiga em torno de sua figura. Mas isso não significa que o uribismo vai desaparecer. Suas ideias seguem presentes e sua influência estrutura boa parte da oposição", conclui Gaspard Estrada.