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América Latina

"Avaliação de Petro é mais positiva do que se imaginava", diz cientista político sobre eleições na Colômbia

A esquerda colombiana ligada ao presidente Gustavo Petro saiu fortalecida das eleições legislativas realizadas neste domingo (8). O Pacto Histórico ampliou sua presença no Congresso, tornando-se novamente a principal força política da Colômbia, enquanto o partido opositor Centro Democrático terminou em segundo lugar — mas viu seu fundador, o ex-presidente Álvaro Uribe, perder a cadeira pela primeira vez desde sua entrada na política nacional.

10 mar 2026 - 16h06
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Apesar do avanço governista, o novo Parlamento permanece profundamente fragmentado e dependerá de alianças para aprovar qualquer reforma. "O que vimos foi que a avaliação do governo é mais positiva do que se imaginava. O Pacto Histórico não apenas resistiu após quatro anos de Petro, como aumentou seu número de cadeiras", afirma o cientista político Gaspard Estrada, membro da Unidade Sul Global da London School of Economics, de Londres.

Eleitora colombiana segura cartaz com imagem do candidato Iván Cepeda, do Pactro Histórico, vencedor das eleições legislativas no domingo, 08/03/2026.
Eleitora colombiana segura cartaz com imagem do candidato Iván Cepeda, do Pactro Histórico, vencedor das eleições legislativas no domingo, 08/03/2026.
Foto: REUTERS - Luisa Gonzalez / RFI

As projeções feitas após a votação e com mais de 95% das urnas apuradas indicam que, para o Senado, o Pacto Histórico alcançou 25 cadeiras, ou seja, cinco a mais do que no Congresso atual. O Centro Democrático surge como a segunda maior força política com 17 cadeiras, seguido do Partido Liberal, com 13, uma a menos do que na legislatura anterior.

"A governabilidade vai continuar sendo complicada. Não é a primeira vez que a eleição legislativa na Colômbia tem um resultado de fragmentação partidária. Já é o caso hoje. O Congresso seguirá dividido. Tanto a esquerda quanto a direita, se vencerem a presidencial, terão de construir alianças para governar. A fragmentação não é novidade, mas deve se intensificar com a polarização", avalia Estrada.

O cientista político constata que o resultado das urnas refletiu de maneira até surpreendente a satisfação da população colombiana com o governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país.

"Eu acho que a grande novidade política desta eleição é essa resiliência do Gustavo Petro e dos seus candidatos, quatro anos após sua chegada ao poder. Os resultados foram uma boa notícia para o Pacto Histórico, que demonstrou a força territorial dos candidatos governistas e um pouco da capacidade do Petro de transferir o seu prestígio pessoal aos aliados", acrescentou.

Primárias de partidos e coligações

Nas eleições de domingo, além da renovação do Congresso para o período de 2026 a 2030, foram realizadas as primárias dos partidos e coligações que definiram Iván Cepeda, aliado de Petro, e a senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático, como os principais nomes para a eleição presidencial de 31 de maio.

Aliado de Petro, Iván Cepeda tem cerca de 30% das intenções de votos segundo as sondagens, mas terá pela frente uma adversária difícil, segundo Estrada. Com mais de 3 milhões de votos entre os candidatos de direita e de centro, a senadora Paloma Valencia sai reforçada da votação para a disputa da presidência da Colômbia.

Apesar de assumidamente conservadora, Valencia não tem um discurso tão radical quanto o candidato da extrema direita Abelardo de la Espriella , conhecido como o "Milei colombiano." 

"Paloma Valencia emerge hoje como uma candidata muito mais competitiva na direita, com maior respaldo das elites tradicionais do que o nome outsider que vinha sendo testado", explica Gaspard Estrada.

Outro marco nas eleições deste domingo foi a derrota do ex-presidente Álvaro Uribe, que não conseguiu se eleger para o Senado. "É natural que, após 20 anos, haja uma fadiga em torno de sua figura. Mas isso não significa que o uribismo vai desaparecer. Suas ideias seguem presentes e sua influência estrutura boa parte da oposição", conclui Gaspard Estrada.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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