Argentina vota em eleições legislativas de meio de mandato cruciais para Milei e suas reformas
A Argentina começou a votar neste domingo (26) em eleições legislativas nas quais o presidente ultraliberal Javier Milei coloca à prova sua capacidade de reformar e administrar, durante os dois anos restantes de seu mandato, uma economia frágil e, recentemente, sustentada por uma infusão financeira norte-americana. A votação renova metade dos deputados e um terço dos senadores, Câmaras sem maioria absoluta.
A Argentina começou a votar neste domingo (26) em eleições legislativas nas quais o presidente ultraliberal Javier Milei coloca à prova sua capacidade de reformar e administrar, durante os dois anos restantes de seu mandato, uma economia frágil e, recentemente, sustentada por uma infusão financeira norte-americana. A votação renova metade dos deputados e um terço dos senadores, Câmaras sem maioria absoluta.
Essas eleições de meio de mandato são o primeiro teste nacional para o economista de 55 anos que abalou a política argentina na eleição presidencial de 2023, transformando essas legislativas em um plebiscito sobre sua gestão. O pleito também ganhou uma ressonância mundial, com a ajuda espetacular de mais de US$ 40 bilhões, públicos ou privados, prometida pela administração Trump ao seu aliado ideológico sul-americano. O chefe da Casa Branca já avisou que Washington não será "tão generoso" se Milei perder.
Os locais de votação abriram às 8h e os primeiros resultados devem ser conhecidos por volta das 21h pelo horário local.
"O mais difícil já passou", "Não desistam!", repetiu Javier Milei nos últimos meses, como na quinta-feira (23), no encerramento da campanha em Rosario, consciente de que a maioria dos argentinos sentiu mais as privações do que os efeitos da estabilização macroeconômica.
Apesar do empate técnico com a oposição peronista (centro-esquerda), é quase certo, segundo as pesquisas, que o pequeno partido de Milei, La Libertad Avanza, terá mais cadeiras do que atualmente (15% dos deputados, 10% dos senadores). Para o presidente, um bom número seria um terço dos assentos, patamar que lhe permitiria impor seus vetos.
Javier Milei legislou por meio de muitos decretos ou por acordos legislativos pontuais, mas tem sido cada vez mais bloqueado por um Parlamento resistente à sua rigidez e até mesmo às suas ofensas. Setores da economia, mas também credores internacionais, como o FMI, pediram insistentemente ao Executivo argentino que "reforce o apoio político e social" às suas reformas.
"Devolver à Argentina sua grandeza"
O presidente argentino disputa as eleições com uma queda na inflação de mais de 200% para 31,8% em termos anuais e com um equilíbrio orçamentário inédito em 14 anos. Por outro lado, o "maior ajuste orçamentário da história" — como Milei gosta de repetir — resultou na perda de mais de 200 mil empregos, uma atividade econômica anêmica, com contração de 1,8% em 2024, e uma recuperação em 2025 que já dá sinais de enfraquecimento, além de uma sociedade mais do que nunca dividida em duas velocidades.
O chefe de Estado, no entanto, continua falando em "devolver à Argentina sua grandeza", tentando reacender o impulso de 2023, mas também comparando com uma suposta "era dourada" argentina, na virada do século XIX para o XX.
(Com agências)