Travesti linchado no Marrocos recebe apoio de 50 advogados
Homossexualismo é crime no país, mas autoridades prenderam duas pessoas que participaram das agressões
Mais de 50 advogados se apresentaram nesta quinta-feira (9) para prestar assistência a um travesti no julgamento aberto no Tribunal de Primeira Instância de Fez contra dois jovens que participaram de seu linchamento em uma rua da cidade no último dia 29.
De acordo com o representante da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), Mohamed Oulad Ayad, os advogados vieram de diversas cidades para apoiar a vítima hoje durante a realização da primeira audiência deste processo. Os agressores são acusados de ferir o travesti que foi "descoberto" vestido e maquiado como uma mulher. O julgamento, no qual também estiveram presentes vários ativistas de ONGs pelas liberdades civis, foi adiado para o próximo 23 para dar tempo à defesa de preparar sua estratégia.
Siga o Terra Notícias no Twitter
Ayad elogiou a atuação das autoridades, que defenderam a vítima, apesar de o homossexualismo ser legalmente proibido no Marrocos, e continuaram as investigações para prender as outras pessoas que participaram da agressão.
A ação repercutiu nas redes sociais no dia 30, quando começaram a circular vídeos que mostram várias pessoas batendo e chutando um jovem vestido de mulher e com o cabelo longo, que está caído no chão, até que ele consegue se levantar e, para fugir, entra em um shopping, onde um policial o protege.
A agressão despertou uma onda de indignação na internet e na imprensa marroquina por conta dos frequentes casos de intolerância sobre questões morais registradas nas últimas semanas no país. Os homossexuais, além de serem castigados com penas de seis meses a três anos, sofrem uma grande reprovação social no Marrocos.
Ontem, o ministro da Justiça, Mustafa Ramid, disse em um debate que prefere renunciar a defender o homossexualismo, e acrescentou que, pessoalmente, não está "disposto a assumir a responsabilidade de defendê-los perante Alá".