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África

Papa visita Argélia em giro histórico pela África e sinaliza diálogo entre Vaticano e mundo muçulmano

Nesta segunda-feira (13), o papa Leão XIV desembarcou em Argel, dando início a uma visita inédita e carregada de simbolismo à Argélia, a primeira de um pontífice ao país de maioria muçulmana do norte da África. Recebido com honras oficiais, o líder da Igreja Católica abre sua viagem pelo continente africano em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, com a defesa do diálogo entre cristãos e muçulmanos no centro de sua agenda.

13 abr 2026 - 07h23
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A visita, que deve durar dois dias na Argélia, é classificada pela imprensa francesa como histórica e altamente simbólica. Trata-se da primeira vez que um papa visita o país, que tem o islamismo sunita como religião de Estado e onde os católicos constituem uma minoria. O pontífice inicia em Argel o seu primeiro grande giro internacional, que incluirá outros três países africanos.

O contexto político da viagem é descrito por jornais como o Le Monde como particularmente sensível. A visita começa um dia após um discurso do papa norte-americano em tom crítico à guerra, no qual ele teria se posicionado publicamente contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A reação foi imediata: Trump afirmou não ser "um grande fã do papa Leão", descrevendo-o como "um homem que não acredita no combate à criminalidade". Em publicação na rede Truth Social, o presidente norte-americano acrescentou: "Não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos", ainda que o pontífice não tenha citado o nome de Trump em sua fala.

Diálogo entre religiões

Em Argel, a mensagem central do pontífice deve se concentrar na convivência pacífica e no diálogo inter-religioso, em um país de cerca de 47 milhões de habitantes, onde o catolicismo tem presença pouco expressiva. Segundo o Le Parisien, a visita ocorre em um momento em que o Vaticano busca reforçar seus laços com o mundo muçulmano, tendo a Argélia como interlocutor considerado politicamente estável na região.

O La Croix destaca a dimensão pastoral da viagem sob o título de que "o papa vai ao encontro dos argelinos", interpretando a visita como um gesto de aproximação direta com a população local e com comunidades cristãs minoritárias que, segundo o jornal, vivem sob pressões sociais e institucionais.

Já Le Figaro enfatiza a dimensão histórica e memorial da viagem, lembrando que a Argélia é uma ex-colônia francesa e que o pontífice pretende prestar homenagem aos monges trapistas mortos durante o período de violência dos anos 1990. A visita ocorre cerca de três décadas após o assassinato de religiosos durante durante o período da guerra civil dos anos 1990 no país, episódio que marcou profundamente a presença cristã na região.

O simbolismo do legado de Santo Agostinho

A dimensão simbólica da viagem também se estende ao campo histórico e espiritual. Membro da Ordem de Santo Agostinho, Leão XIV tem uma relação particular com a figura de Santo Agostinho, nascido na região que corresponde à atual Argélia no século IV. O legado do pensador cristão é frequentemente associado à formação intelectual e espiritual do pontificado atual, o que confere à viagem um caráter também pessoal e teológico.

O jornal Libération descreve a visita como uma "viagem iniciática", na qual o papa seguiria simbolicamente os passos de Santo Agostinho ao mesmo tempo em que propõe uma mensagem de abertura em um contexto marcado pelo avanço de discursos islamofóbicos em partes da Europa. O jornal também avalia que a presença do pontífice representa um ganho diplomático para o presidente argelino Abdelmadjid Tebboune, ao projetar o país como interlocutor relevante no diálogo inter-religioso.

A agenda oficial inclui encontros com autoridades do Estado em Argel e uma cerimônia ecumênica. O papa também deve prestar homenagem no Monumento aos Mártires às vítimas da guerra de independência contra a França (1954-1962), em um gesto de reconhecimento de um dos períodos mais sensíveis da história nacional argelina.

Após a etapa na Argélia, a viagem seguirá por Camarões, Angola e Guiné Equatorial, consolidando o primeiro grande giro internacional de Leão XIV desde o início de seu pontificado, aos 70 anos.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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