Islâmicos marcham contra violência no Egito
Milhares de islâmicos protestaram no Cairo nesta sexta-feira contra a violência que arruinou as manifestações antigoverno, demonstrando apoio ao presidente Mohamed Mursi, o político da Irmandade Muçulmana eleito chefe de Estado no ano passado.
O comício "Juntos contra a Violência" foi organizado por um grupo islâmico salafita de linha-dura que lançou uma revolta armada contra o Estado nos anos 1990.
Al-Gama'a al-Islamiya, cuja liderança renunciou à violência há mais de uma década, entrou na política desde que o presidente autocrata Hosni Mubarak foi derrubado em 2011.
A Irmandade Muçulmana e seu partido Liberdade e Justiça disseram apoiar simbolicamente o comício de sexta-feira, mas não mobilizaram simpatizantes para o evento, ou seja, os números foram menores do que em protestos islâmicos anteriores.
Cerca de 60 pessoas foram mortas no Egito desde o final de janeiro nos tumultos desencadeados pelo aniversário do levante contra Mubarak e exacerbados por um decreto da justiça que sentenciava 21 pessoas à morte por um desastre em um estádio de futebol um ano atrás.
Foi a pior matança desde que Mursi assumiu o posto, destacando a instabilidade que continua a frustrar os esforços do governo para restaurar um sentido de normalidade e reviver uma economia em crise, atraindo investimento novo e turismo.
O tumulto foi provocado pela raiva contra Mursi e seus partidários islâmicos, que a oposição diz terem traído a revolução e buscado monopolizar o poder - acusações rejeitadas pela Irmandade Muçulmana.
Repetindo o padrão das últimas semanas, os opositores de Mursi se reuniram de novo na sexta-feira, dessa vez em frente a El-Quba, um dos palácios presidenciais nos subúrbios ao norte do Cairo. Os ativistas apelidaram o movimento de "Sexta-feira Xeque-mate".
Os manifestantes já eram centenas no início da tarde.
Protestos recentes ficaram violentos, com prédios do governo, delegacias e o palácio presidencial sendo atacados com coquetéis Molotov e pedras.
Mas "a pessoa que subiu (ao poder) pelas urnas não sairá por coquetéis Molotov", disse um clérigo que liderava a multidão nas orações de sexta-feira. "Ele que chegou ao poder por escolha livre e direta, não sairá por pedras atiradas por crianças".
A multidão aumentou para milhares depois da oração.
"Não à violência. Sim à sharia (lei islâmica)", dizia uma faixa no meio da multidão. "Com nosso sangue e almas, vamos nos sacrificar pelo Islã!", gritava a multidão. "O povo quer uma mão de ferro", dizia outra faixa.
(Reportagem adicional de Mahmoud Ali)