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Crise de reféns em campo de gás na Argélia tem final dramático e confuso

19 jan 2013
16h07
atualizado às 16h15

A crise de reféns que explodiu na quarta-feira passada no campo de gás de In Amenas, no sudeste da Argélia, a primeira do gênero desde a sangrenta década dos anos 90, terminou neste sábado de maneira dramática e confusa com a morte dos últimos sete reféns estrangeiros.

Fontes dos serviços de segurança afirmaram que o último ataque aconteceu perante a certeza que os terroristas tinham decidido suicidar-se em grupo após perder a esperança de escapar e depois de comprovar que tinham começado a assassinar os reféns a sangue frio.

A agência oficial argelina e a televisão estatal confirmaram que as forças especiais do Exército lançaram nesta manhã a última operação contra os 11 terroristas que ainda resistiam em uma área das instalações, fortemente armados e com explosivos presos aos corpos, segundo tinham assegurado os próprios.

No entanto, segundo as fontes de segurança, quando as forças especiais intervieram e mataram os terroristas autodenominados "Signatários com Sangue", os sete reféns, cujas nacionalidades ainda não foram informadas, já estavam mortos.

Antes da confirmação do dramático final, meios de comunicação locais informaram que durante a noite tinham sido libertados sete reféns de nacionalidade japonesa, irlandesa e indiana e que foram localizados os corpos carbonizados de outras 15 pessoas, aparentemente tanto de sequestradores como de sequestrados.

No entanto, ainda não foi publicado um balanço global de mortos e feridos, nem se sabe com precisão quantas pessoas foram sequestradas.

Segundo os números oficiais parciais conhecidos até agora, 573 argelinos e 100 estrangeiros foram libertados, enquanto 19 reféns argelinos e estrangeiros morreram, assim como 29 terroristas.

O ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, declarou hoje antes do anúncio do fim da operação de resgate que "cerca de dez" de seus compatriotas estavam "em perigo ou desaparecidos".

No entanto, além do fim da operação e da morte de sete reféns e 11 homens armados e que os trabalhadores do campo tinham conseguido apagar um incêndio provocado pelos terroristas, não foi informado nenhum outro detalhe.

A companhia estatal argelina Sonatrach, que opera o campo de gás junto com a britânica BP e a norueguesa Statoil, assegurou em comunicado que os terroristas tinham colocado minas em vários pontos deste vasto complexo, isolado no meio do deserto e situado a 40 quilômetros de In Amenas e a 100 da fronteira líbia.

O comunicado acrescentou que o objetivo do grupo terrorista era destruir as instalações deste campo.

"Neste momento, equipes especializadas do Exército argelino estão realizando uma operação para retirar as minas antes de retomar as atividades no campo de gás", disse a nota.

O campo de In Amenas foi inaugurado em 2006 e sua capacidade de produção chega a nove milhões de metros cúbicos, o que representa 12% da produção da Argélia e 18% de suas exportações.

No entanto, o ministro de Comunicações argelino, Mohammed Said, tentou lançar ontem uma mensagem tranquilizadora garantindo que, apesar do bombardeio do campo, foram tomadas todas as medidas necessárias para manter o nível global de produção.

Por sua parte, o primeiro-ministro líbio, Ali Zidan, negou hoje que o ataque perpetrado pelos "Signatários com Sangue", criados pelo veterano terrorista argelino Mojtar Belmojar em dezembro do ano passado, tenha sido planejado na Líbia, como sustentam as autoridades argelinas.

"A organização terrorista que atacou a base petrolífera em In Amenas vinha da Líbia e a operação foi planejada e supervisada pelo terrorista Mojtar Belmojtar em território líbio", disse há dois dias o ministro do Interior argelino, Daho Ould Kablia.

Belmojtar criou a célula terrorista que lançou o ataque para responder a uma eventual intervenção militar internacional contra os rebeldes salafistas que controlam o norte do Mali.

O ataque, reivindicado pelo líder terrorista, começou na quarta, apenas cinco dias depois que a aviação francesa lançou seus primeiros ataques aéreos no Mali em apoio ao Exército local.

EFE   
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