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África do Sul: presidente usa R$54 mi do Estado para reformar casa

O valor é oito vezes maior que o dinheiro gasto na segurança da casa do líder anti-apartheid Nelson Mandela

19 mar 2014 - 17h06
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<p>O custo da reforma da casa do presidente sul-africano quase quadruplicou em 5 anos</p>
O custo da reforma da casa do presidente sul-africano quase quadruplicou em 5 anos
Foto: AP

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, se beneficiou "indevidamente" de uma reforma residencial de 23 milhões de dólares (mais de R$54 milhões), custeados pelo Estado, que incluiu um curral e um anfiteatro, disse o órgão anti-corrupção do país nesta quarta-feira em um relatório danoso às vésperas da eleição.

A protetora pública Thuli Madonsela acusou Zuma de conduta "inconsistente com seu cargo" e disse que ele deveria pagar por algumas das reformas desnecessárias, entre elas um galinheiro e uma piscina justificada como equipamento anti-incêndio.

As descobertas são mais um golpe em Zuma, assolado por escândalos, e pode prejudicar o partido governista Congresso Nacional Africano (CNA) nas eleições de 7 de maio, embora o ex-movimento de libertação, que governa desde o final do apartheid em 1994, ainda seja o favorito.

A presidência disse que Zuma "tem se preocupado com as alegações de inconveniência" que cercam a reforma, e que irá estudar o relatório e dar sua resposta "no momento adequado", acrescentou o comunicado.

O relatório de 444 páginas de Madonsela, uma investigação de dois anos sobre as reformas na residência rural de Nkandla, na província de KwaZulu-Natal, pintou um quadro de incompetência oficial sistemática e denunciou práticas lenientes que Zuma jamais questionou.

"O presidente aceitou tacitamente a implementação de todas as medidas em sua residência e se beneficiou indevidamente do enorme investimento de capital nas instalações não relacionadas à segurança em sua residência particular", disse Madonsela.

A promotora de fala suave, que se tornou famosa por seu escrutínio abrangente das irregularidades oficiais, descreveu o excesso de gastos como "exponencial" e disse que os ministros trataram do projeto de "uma maneira espantosa".

<p><span style="color: rgb(80, 80, 80); font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 15px;">Jacob Zuma é acusado de usar indevidamente dinheiro do Estado na reforma de sua casa. Na foto, ele faz seu discurso anual durante o congresso na cidade do Cabo, em fevereiro de 2014 </span></p>
Jacob Zuma é acusado de usar indevidamente dinheiro do Estado na reforma de sua casa. Na foto, ele faz seu discurso anual durante o congresso na cidade do Cabo, em fevereiro de 2014
Foto: Reuters

Quando o escândalo de Nkandla veio à tona, em 2009, o custo foi estimado em 6,1 milhões de dólares. Apesar de estar sob a atenção do público desde então, a conta inflou para quase o quádruplo do valor inicial à medida que o projeto fugia do controle.

O valor chega a oito vezes o dinheiro gasto na segurança da casa do líder anti-apartheid Nelson Mandela, morto em dezembro aos 95 anos, e mais de mil vezes o montante gasto na casa de F.W. de Klerk, último presidente branco da África do Sul.

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