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Abrigos para vítimas de terremoto na Venezuela acolhem sobreviventes e voluntários

1 jul 2026 - 16h13
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O centro de comando, instalado em ‌uma sala de aula abandonada na Venezuela, é um verdadeiro formigueiro de atividade, com os rádios crepitando ao serem ligados e a equipe médica se apresentando para as tarefas designadas para o dia.

Embora essa organização não parecesse fora de lugar em um quartel militar supervisionado por generais, a operação está ocorrendo na escola local "República do Panamá", em La Guaira — o Estado mais atingido pelos dois terremotos da semana passada —, e os comandantes têm entre 20 e 27 anos.

A tarefa deles é administrar o abrigo improvisado para as ⁠vítimas dos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que devastaram o país sul-americano com menos de um minuto de intervalo, matando mais de ‌2.200 pessoas, segundo o último balanço, número que provavelmente aumentará.

A equipe de cerca de uma dúzia de pessoas — todos voluntários e membros da ala juvenil do partido socialista da Venezuela — desenvolveu um software para registrar os residentes, a maioria dos quais perdeu entes ‌queridos, suas casas ou ambos no desastre.

Eles também estão, em grande parte, desabrigados ‌após os terremotos e se revezam em turnos de trabalho no centro de comando 24 horas por dia. Assim como ⁠os moradores do abrigo, dormem em beliches de metal fornecidos pelo Ministério do Comércio.

O grupo registra cada uma das mais de 350 pessoas que estão no abrigo, onde, em média, três famílias dormem por sala de aula. O programa registra seus endereços anteriores, ferimentos e quem ainda não almoçou no refeitório.

"Somos como o Titanic. Afundamos com o navio", disse Daniel Rivas, de 25 anos, enquanto seus pares procuravam no registro uma pessoa desaparecida, procurada por um parente que estava no portão da escola.

Chuveiros, um posto médico, uma lavanderia ‌e um refeitório estão à disposição dos moradores, cujos filhos brincam nas escadarias e na quadra de basquete.

Cada um dos nove abrigos em ‌La Guaira é administrado por uma equipe ⁠diferente, informou a equipe desta escola.

"CHEIAS DE ⁠RAIVA"

"As pessoas estão 50% muito sensíveis e 50% cheias de raiva, perdidas", disse José Méndez, que também faz parte da equipe. "Elas estão com raiva ⁠por não encontrarem seus familiares, por terem perdido tudo. Mas estamos prontos para ‌ajudar."

Todos os membros da equipe nasceram pouco ‌antes ou nos anos seguintes ao último grande desastre de La Guaira — um deslizamento de terra em 1999 que matou até 30.000 pessoas.

Os terremotos da semana passada mataram 2.295 pessoas, segundo dados do governo divulgados nesta quarta-feira. Uma lista não oficial, mas amplamente utilizada, de desaparecidos chega a 40.567. Um enviado da Organização das Nações Unidas afirmou nesta semana que estava ⁠adquirindo 10.000 sacos para cadáveres para a Venezuela, um indicador de quão alto o número de mortos pode chegar a ser.

Os moradores criticaram o governo da presidente interina Delcy Rodríguez pelo que consideram uma resposta lenta e inadequada do Estado, enquanto a ONG International Rescue Committee afirmou na terça-feira que "a escala da resposta não atende à escala das necessidades humanitárias".

Delcy Rodríguez, em uma postagem no X, disse que as autoridades continuam ajudando as pessoas afetadas, além de ‌supervisionar os esforços de recuperação. "Sei que muitos venezuelanos sentem dor e frustração. Compartilho profundamente desses sentimentos", disse ela.

PRÓXIMOS PASSOS

A equipe aqui aguarda dois passos importantes: visitas da autoridade de registro, para substituir os documentos de identidade perdidos, e do Ministério da Habitação, ⁠para esclarecer o que as pessoas que perderam suas casas devem fazer para receber ajuda.

"Sinto como se o terremoto ainda estivesse dentro de mim", disse Deisy Tapias, de 36 anos, moradora do abrigo, que estava lá com dois de seus cinco filhos. "Gostaria de poder voltar para casa."

Seu apartamento, mais adiante na costa, ficou quase totalmente destruído, embora seu filho de 17 anos tenha conseguido resgatar os documentos de identidade e o botijão de gás de cozinha das ruínas.

Tapias disse que está disposta a se mudar para outro Estado se essa for a única maneira de reconstruir sua casa.

Sua mãe, Deisy Bermudez, de 55 anos, tem uma casa intacta em um assentamento próximo e chegou com roupas e alimentos para a família.

"Não suporto abrigos", disse Bermudez, que perdeu sua casa no desastre de 1999 e afirmou ter ficado fora do programa de moradia do governo construído posteriormente para as vítimas.

Enquanto as mulheres conversavam com a Reuters, um caminhão de transporte do Exército parou do lado de fora, e soldados ajudaram oito novas famílias a carregar poucas sacolas com seus pertences para dentro do abrigo, onde foram recebidas pela equipe.

Muitos dos que chegam agora têm vivido ao lado das ruínas, disse a equipe, e procurado por entes queridos presos sob os escombros.

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