A recompensa da Rússia pelo alistamento na guerra da Ucrânia mudou a idade de seus soldados: homens na faixa dos 60 e 70 anos
Após três anos de conflito, os números mostram um esgotamento de recursos humanos jovens e qualificados na Rússia
Nas guerras, o número de baixas costuma ser maior do que o reconhecido oficialmente, mas qual é a diferença entre os dados? Há alguns dias, a BBC e a Mediazona lideraram uma ampla análise sobre o número de soldados russos mortos no conflito na Ucrânia. Paralelamente, outro estudo pioneiro, baseado em ferramentas de inteligência artificial, fez a mesma análise e apresentou números muito semelhantes. Ambas as pesquisas revelaram o óbvio: três anos de guerra resultam em milhares de mortes — mas também mostraram como as forças mudam com o tempo.
O Financial Times relata uma realidade que parece uma distopia. À medida que a guerra na Ucrânia avança para o seu terceiro ano, a Rússia tem modificado a composição de seu exército, recorrendo cada vez mais a homens com mais de 50 anos, a maioria deles na faixa dos 60 e 70 anos.
Essa mudança responde à necessidade do Kremlin de repor tropas sem recorrer a uma nova mobilização em massa, uma medida impopular entre a população. Em vez disso, o governo optou por recrutar "voluntários" por meio de incentivos financeiros substanciais e de uma intensa propaganda televisiva que exalta o patriotismo e a necessidade de defender a nação. O veículo apresentou exemplos, como o caso de Yuri Bushkovsky, que teria completado 70 anos em 2024 e morreu na linha de frente na Ucrânia em novembro. Sua história é apenas uma entre milhares de veteranos e cidadãos idosos que foram persuadidos a se alistar com promessas de estabilidade econômica para suas ...
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