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A cúpula de paz na Suíça que vai discutir saídas para Guerra na Ucrânia

Mais de 90 países e instituições globais participam do evento, que tem como objetivo discutir princípios básicos para dar um fim ao conflito na Ucrânia.

15 jun 2024 - 10h15
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Zelensky apresentou seu próprio plano de paz no final de 2022
Zelensky apresentou seu próprio plano de paz no final de 2022
Foto: EPA / BBC News Brasil

Durante este final de semana, um resort suíço localizado nas proximidades do Lago Lucerna será transformado com a chegada de dezenas de líderes mundiais, além de milhares de soldados e policiais.

Mais de 90 países e instituições globais participam do evento, que tem como objetivo discutir os princípios básicos para acabar com a guerra na Ucrânia.

Os suíços esperam que a cúpula possa produzir os primeiros esboços de um processo de paz, cerca de 28 meses depois de a Rússia ter invadido o país vizinho.

Trata-se da maior reunião sobre o assunto desde o início do ataque em grande escala.

O evento é marcado pelo afastatamento de atores importantes nesse processo, como é o caso da China. Além disso, o presidente russo, Vladimir Putin, emitiu recentemente um novo ultimato — em que exige a capitulação da Ucrânia — e as expectativas de qualquer progresso concreto são baixas.

A Rússia não foi convidada para a cúpula.

Para a Ucrânia, o simples fato de esta reunião acontecer já é positivo.

Os políticos em Kiev têm saudado cada participante confirmado como um gesto de apoio.

Para eles, uma reunião desse tamanho pode demonstrar à Rússia que o mundo está do lado da Ucrânia — e do direito internacional.

O presidente russo emitiu um novo ultimato que exige a entrega de territórios ucranianos à Rússia
O presidente russo emitiu um novo ultimato que exige a entrega de territórios ucranianos à Rússia
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A cúpula na Suíça acontece em um momento difícil.

As últimas semanas foram marcadas por uma nova ofensiva russa no nordeste, perto de Kharkiv. Mísseis atingem casas e centrais elétricas em toda a Ucrânia com uma intensidade renovada.

Portanto, num evento desse tipo, o número de convidados confirmados importa — assim como o resultado do que for discutido.

"É importante estabelecer um quadro político e jurídico para uma paz futura. Também será preciso mostrar que essa paz só pode ser alcançada a partir do plano de dez pontos estabelecidos por Zelensky", analisa o deputado ucraniano Oleksandr Merezhko.

"Isso inclui a integridade territorial da Ucrânia e a soberania do país", complementa ele.

O político se refere a um plano de paz apresentado no final de 2022 pelo presidente da Ucrânia, que insiste em obrigar a Rússia a devolver todas as terras ocupadas durante a invasão.

A Ucrânia quer agora reunir o maior número possível de países em torno dessa demanda, colocando uma "pressão psicológica" sobre a Rússia, para que o país aceite tais termos, caso chegue a essa fase.

No momento, esse cenário parece improvável.

A realização de uma cúpula foi discutida pela primeira vez quando a situação no campo de batalha parecia mais promissora para Kiev: um momento nobre para tentar definir os termos de qualquer futuro acordo de paz.

Desde então, a dinâmica da guerra mudou.

Kharkiv (foto) foi afetada por ataques aéreos russos nas últimas semanas
Kharkiv (foto) foi afetada por ataques aéreos russos nas últimas semanas
Foto: Reuters / BBC News Brasil

"Sinto que cresce um sentimento de que a guerra não pode ser vencida pela Ucrânia", argumenta Sam Greene, do Centro de Análise de Política Europeia (Cepa).

O especialista aponta para uma "parcela significativa" do grupo da política externa dos EUA que acredita que a Ucrânia deveria "diminuir os prejuízos".

Ele também observa que há um aumento do apoio na Europa aos partidos de direita que são mais simpáticos à Rússia.

"Penso que uma coisa que este evento pretende fazer é reanimar o apoio à visão da Ucrânia de que existe uma saída aceitável", diz Greene.

Mas a participação de figuras importantes na cúpula é menos promissora do que Ucrânia e Suíça esperavam de início.

O presidente dos EUA não irá ao evento, mas a vice-presidente confirmou presença
O presidente dos EUA não irá ao evento, mas a vice-presidente confirmou presença
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Joe Biden não comparecerá pessoalmente, numa decisão que incomodou Zelensky.

As tentativas de conseguir a adesão de países-chave do "Sul Global"— que não são aliados instintivos da Ucrânia — foram apenas parcialmente bem-sucedidas.

Índia, Brasil e China não vão comparecer, ou enviarão apenas representantes de baixo nível hierárquivo.

As autoridades russas têm reforçado que consideram o evento insignificante. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, classificou a cúpula como "inútil" e "insignificante". Mesmo assim, Moscou tem pressionado aliados a boicotarem o evento.

"Parece que a China decidiu apoiar sem limites o seu parceiro estratégico, a Rússia, e não o processo de paz. Eles apoiam o agressor, não a paz", lamenta Oleksandr Merezhko.

Na véspera do evento, Vladimir Putin tentou lançar outro obstáculo ao definir as suas próprias condições para um suposto processo de paz: ele deseja a capitulação da Ucrânia.

Entre outras coisas, Putin exige que a Ucrânia entregue todas as quatro regiões que a Rússia afirma ter anexado, incluindo áreas que permanecem sob o controle do governo de Kiev.

A Ucrânia considerou as exigências russas "ridículas".

A reunião no Lago Lucerna, na Suíça, abordará três dos pontos menos controversos da fórmula de paz de Zelensky: as questões da segurança nuclear, o envio de alimentos para os mercados globais e a entrega de crianças e prisioneiros ucranianos que foram capturados.

Avançar além desses pontos provavelmente não será produtivo — nem agora, nem quando Ucrânia e Rússia estiverem prontas para desistir da luta.

"Penso que, da perspectiva ucraniana, ao olhar para o que se passa nas linhas da frente, o que eles realmente precisam não é de um compromisso com a paz, certamente não a qualquer custo", argumenta Sam Greene, referindo-se ao papel dos aliados de Kiev.

"Eles necessitam de um compromisso para vencer a guerra", conclui ele.

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